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Editor's Note

Round Table: "Cinema and Work"

- Comentários sobre dois filmes apresentados: “Criando Fontes de trabalho” (1961) de João Mendes e “A Divisão Social do Trabalho Segundo Adam Smith” (2011) de Fátima Ribeiro

Author: Ilona Kovács

. Theme 1) Innovation and Entrepreneurship

(07) Dynamics of Entrepreneurship Development Related to Technology Adoption in Brazilian Amazonian Region

Entrepreneurs develop new technology-based firms under uncertain conditions, with non-tested technologies and limited resources. However, development, technology, innovation, entrepreneurship, education and environmental preservation are relevant issues with regard to Brazilian Amazonian region. Brazil’s economic, social and cultural evolution over the past three decades enabled a very considerable change in market indicators and in population well-being. Hence, entrepreneurship is considered as a regional key driver for economic growth. Within this framework, the purpose of this study is to analyze entrepreneurial attitude towards the adoption of information and communication technology in that region. Based on the theories that determine the research model linked to entrepreneurial attitude and technology adoption, we study the connection between entrepreneurial attitudes and information technology along the development phase of the entrepreneurship process. The methodology is based on a survey of a sample of small and medium-sized enterprises from the State of Amapá in Brazilian Amazonian region. Increasingly, technology entrepreneurs can also not have the exclusive control of all the necessary resources but some theories underscore the evolution and role underlying the nature of business change. Along the technological transformation phase, entrepreneurs’ behavior changes and, consequently, enterprises change too.

Authors: António Nogueira de Sousa and Benedita do Socorro Matos Santos

(27) Empreendedorismo feminino em análise: uma história de sucesso

O termo empreendedorismo tem origem na palavra francesa “entrepreneur” e indica a pessoa que assume riscos e começa algo novo, reinventando a si mesma e reorientando sua identidade segundo as exigências do negócio. Nesse campo, o Brasil tem registrado um equilíbrio de gênero, inclusive com a superação feminina em alguns momentos ou categorias. Sendo assim, esse trabalho teve como objetivo compreender a constituição identitária de uma mulher que alcançou o reconhecimento social no Brasil como empreendedora de sucesso, a partir da perspectiva da identidade enquanto questão social e política, que materializa a dialética singular-universal. Foi utilizado o método de narrativa de história de vida, ressaltando os diversos personagens assumidos pela entrevistada ao longo do tempo, como realidade subjetiva, assim como sua relação com os demais atores sociais, como realidade objetiva. Considerou-se que a história de vida analisada pode ser considerada emblemática, a partir do momento que busca a emancipação e apresenta novas possibilidades identitárias ao grupo social. Embora o início de sua carreira empreendedora não tenha sido uma escolha autônoma, a entrevistada foi além da identidade pressuposta, construindo novas facetas para a personagem mulher-empreendedora que lhe garantiram reconhecimento e satisfação pessoal. Em seu processo de individuação, conseguiu driblar as políticas de identidade impostas, tanto no que se refere as políticas de gênero construídas socialmente (que reduzem as mulheres à personagem de mãe-cuidadora-do-lar) como na superação das desigualdades de um ambiente majoritariamente masculino, de modo a desenvolver fragmentos emancipatórios em busca de uma identidade política. Como o singular materializa o universal, demonstra o quanto a identidade coletiva da mulher vem sendo reconstruída e realinhada com o mundo do trabalho e com a realidade da vida familiar moderna, exigindo uma metamorfose da sociedade como um todo, sobretudo no que diz respeito a normatividade e aos estereótipos instaurados ao longo do tempo.

Author: Suélen Cristina de Miranda

(57) Innovación y emprendimiento en Pymes florícolas de México

En la actualidad, tanto la innovación como el emprendimiento son considerados factores clave para el desarrollo económico. Sin embargo, aún falta conocer su comportamiento en organizaciones con características especiales y bajo contextos específicos, así como la profundidad de la dimensión humana del emprendimiento en la innovación. El principal objetivo de la presente investigación es proponer un modelo de regresión para mostrar la influencia que tiene el emprendimiento sobre la innovación en micro, pequeñas y medianas empresas (pymes); debido a que en este tipo de empresas existe mayor posibilidad de identificar las prácticas innovadoras así como el emprendimiento. Con el objeto de proporcionar evidencia empírica sobre el tema abordado, se exponen las características de innovación y emprendimiento, através de una encuesta a líderes de pymes mexicanas productoras de flor. Finalmente, con base en los resultados obtenidos se proponen estrategias y líneas de acción para investigaciones futuras y prácticas organizacionales eficientes.

Authors: Fanny-Janeth Muñoz-Salgado; Ana Lorga da Silva y José Luis Barrera-Canto

(64) A estandardização em inovação e a influência no agendamento de Políticas Públicas: Um ensaio reflexivo entre normas da ABNT e do IPQ

A estandardização é um fenômeno que se originou, essencialmente, da industrialização, influenciando o desenvolvimento de tecnologias e inovação. Assim, surgiram organismos nacionais e internacionais de normalização, emitindo normas técnicas para o fim de contribuírem com governos, organizações e instituições em relação a processos, produtos e serviços. O presente estudo procura instigar à reflexão de como a normalização pode apresentar elementos que influenciam no agendamento de políticas públicas. Para isso, são estudadas normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Instituto Português de Qualidade (IPQ), que tratam de diretrizes para a Gestão da Pesquisa/Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI/PDI). Enquanto resultados do estudo realizado, respeitando o conteúdo e os direitos de propriedade intelectual das respectivas normas, dispõe-se de três produtos que, sinteticamente, representam o desenvolvimento de pessoas, a infraestrutura e o bidirecionamento interdependente entre fatores internos e externos às organizações, que implicam no desenvolvimento de políticas públicas.

Author: Tiago Hideki Niwa

(69) Como se não houvesse amanhã: Do trabalho numa organização start-up

No contexto nacional, perante os relatos de sucesso efervescente, a referência a uma organização start-up, define, no momento presente, em termos mediáticos e institucionais, uma amenidade, uma platitude, correlativa do louvor dos seus méritos como factos consumados, anódinos, salvíficos.
Este louvor tem deixado pouca margem para questionamentos de natureza sociológica. O presente artigo toma por objectivo, a este propósito, a assumpção de uma perspectiva particular de problematização do fenómeno start-up, em termos sociais e organizacionais. Trata-se de um modo de ver que equaciona as implicações da natureza temporária da organização start-up, de uma concepção de tempo específica, que valoriza o tempo como recurso finito, e a start-up como forma organizacional de duração (temporalmente) limitada.
Apresenta-se como suporte empírico uma narrativa constituída a partir de um conjunto de observações tomadas no decurso de uma pesquisa de natureza longitudinal, numa das organizações start-up portuguesas que maior crescimento (e visibilidade) tem conhecido nos últimos três anos. Como efeito de uma concepção linear do tempo no plano das relações mantidas na e com a organização start-up, regista-se, em termos empíricos, um foco (discursivo) na acção, no presente imediato, na constituição contínua de um sentido de urgência. Registam-se, igualmente, em sentido próximo, um conjunto de quase-interditos (discursivos), apensos à ausência de referência(s) à finitude da duração da start-up enquanto instituição, à pouco provável existência de um futuro partilhado entre os indivíduos, à secundarização da importância e das implicações do conflito interpessoal.
Neste contexto, considera-se que a organização start-up delimita um contexto particularmente fecundo de incorporação acrítica da assumpção da transitoriedade contemporânea como novo normal, evidenciando-se, deste modo, a necessidade de ampliar o âmbito das perspectivas de análise disponíveis para referir e interrogar um fenómeno, em si mesmo relevante, para uma putativa recomposição das práticas que enformam a actividade económica nacional.

Author: João Vasco Coelho

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. Theme 3) Mobilities and Work

(55) Desemprego e Migrações em Portugal, que relação?

Portugal está a viver nos últimos anos uma crise de grande dimensão tanto no domínio económico como no social. Com efeito a generalidade das famílias viu diminuir o seu rendimento disponível pelo menos desde o início da década atual e mesmo nos casos em que mantiveram o emprego que tinham ou continuaram a trabalhar em novo emprego. Uma das faces visíveis do problema português é a diminuição dos rendimentos das famílias, outra é o elevado desemprego. Menos visível mas não menos importante é a emigração consubstanciada na saída de mais de 600 mil portugueses no período em análise. Esta não pode dissociar-se quer dos baixos rendimentos quer do desemprego e constitui a solução encontrada por muitos para poder satisfazer as suas necessidades básicas e as da sua família face à falta de oportunidades no país. Na maior parte dos caos em que se consegue arranjar trabalho em Portugal este é precário e mal pago. Esta razão ajuda também a compreender porque têm diminuído os fluxos de entrada de imigrantes no nosso país. O nosso objectivo é com base na análise da evolução da taxa do desemprego, e dos fluxos quer da emigração quer da imigração, procurar identificar eventuais relações estas variáveis. Os dados a utilizar são da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) dizem respeito ao período entre 2010 e 2015. Os resultados evidenciam que o aumento do desemprego está associado ao aumento da emigração e à diminuição da imigração.

Author: José Rebelo dos Santos

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. Theme 4) Public Employment Policies

(24) Active ageing and age management to favour intergenerational relations in workplaces

While it needs to be implemented at the level of the organisation, age management may also be promoted through legislation or public policy for the ageing workforce as a whole, in order to strengthen labour market integration, increase or sustain productivity and improve the quality of work environment. The two approaches should be seen as mutually reinforcing, rather than as independent of each other. Good practice in age management and, in particular, those favoring intergenerational relations, are the most important precondition for a substantial increase in the labour force participation of older workers (but not only – see generational contract); its benefits can be felt all round, for public authorities, for employees and for the organisation.
This paper aims to develop a better understanding of how answers to demographic challenges may be translated into both national policies and firms practices, presenting two country case and some good practices.

Author: Barbara Barabaschi

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. Theme 5) Labour Market

(05) Crise e qualidade do emprego

A crise tem efeitos paradoxais e contraditórios sobre a qualidade do emprego. Por um lado, as elevadas taxas de desemprego e o clima económico depressivo, exercem uma forte pressão sobre os empregados com efeitos na degradação da qualidade do emprego. Por outro lado, o efeito estrutural da grande supressão de maus empregos (baixa qualificação e relações contratuais frágeis) incrementa a qualidade do emprego, expressa na melhoria da estrutura de qualificações e no aumento da permanência média no emprego em alguns países, de que são exemplos Portugal e Espanha. Estas evoluções contraditórias mostram que não é possível avaliar capazmente as mudanças na qualidade do emprego induzidas pela crise apenas através de um único critério mas, ao invés, tornam necessário recorrer a critérios múltiplos. Este artigo prossegue esse objetivo, analisando as consequências da crise na evolução da qualidade do emprego considerando quatro componentes: a qualidade dos salários, a qualidade do tempo de trabalho, a qualidade do conteúdo do trabalho e do seu meio ambiente, por último, a segurança no mercado de trabalho.

Authors: Maria da Conceição Cerdeira e João Dias

(20) Por una sociología del trabajo académico: la precarización del trabajo de enseñar e investigar en la Universidad

En esta ponencia se presenta un primer avance de resultados, de un estudio de caso, que indaga, en profundidad, sobre la precarización del trabajo y la vida, así como sus efectos en la vida social de trabajadoras y trabajadores, en la enseñanza superior en España, que se encuentra en un proceso de transformación constante y esto afecta al personal docente e investigador, en su trabajo y en su vida. Con una aproximación cualitativa, nuestro propósito ha sido profundizar en la problemática social que viven los/as investigadores y docentes, identificando y analizando los factores que determinan y explican sus estrategias para enfrentar la carrera académica. El objeto concreto de este estudio de caso son también, y principalmente, las y los investigadores y profesores jóvenes: tratamos de caracterizar sus trayectorias y estrategias laborales, académicas y vitales para comprender, desde su punto de vista y a través de sus experiencias, las transformaciones del sistema universitario español y los efectos que estas tienen sobre las vidas de quienes emprenden la carrera académica.

Authors: Juan José Castillo y Paloma Moré

(26) Mobilização em movimentos sociais: uma análise psicossocial da 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo - Brasil

A expressão “novos movimentos sociais” passou a ser utilizada para referir-se a certas configurações de ação coletiva (que ocorreram nas sociedades ocidentais a partir da segunda metade da década de 1970), caracterizadas pelo protagonismo heterogêneo de indivíduos e grupos, que partem de uma perspectiva transcultural e destacam a relevância da identidade. Nesse cenário, a psicologia social contribui para uma análise ampliada do fenômeno, que considera tanto a conjuntura quanto os aspectos psicossociais e une dialeticamente as dimensões individuais e políticas. Deste modo, este trabalho teve como objetivo analisar a mobilização para participação na Parada do Orgulho LGBT 2016 de São Paulo. Utilizou-se como método de coleta de dados entrevistas semiabertas realizadas com participantes do evento. A análise foi realizada a partir da dialética particular-universal, na qual a compreensão do processo de socialização como constituinte da identidade (individual e coletiva) possibilitou relacionar a memória histórica do movimento LGBT com o evento analisado e os participantes entrevistados. Por fim, constatou-se que a atribuição festiva possibilita uma maior visibilidade social ao evento, enquanto seu aspecto político pode ser demarcado pela contestação a heteronormatividade instituída. A participação no evento (mesmo com interesses diversos) possibilita uma metamorfose identitária, seja pelo rompimento com a normatividade cotidiana, seja pelo reconhecimento à imagem positiva do grupo, que interferem na autoimagem dos participantes e nos sentidos atribuídos a história pessoal. As conquistas do movimento associadas a garantia legal de igualdade sem distinção ainda não alcançaram uma mudança na realidade, esta enquanto construção social e histórica. As relações sociais seguem permeadas por preconceitos e estereótipos, de modo que a parada aparece como um grito coletivo de um público que teve sua voz destituída por séculos e que busca respeito e não tolerância.

Authors: Suélen Cristina de Miranda e Débora Laís Silva de Oliveira

(36) A inserção social no mercado de trabalho: Representações de empregadores sobre as suas experiências na adoção de medidas de incentivo à empregabilidade

Durante os anos 90, generalizam-se os modelos de inspiração workfare em muitas sociedades ocidentais, cujo princípio fundamental assenta na ideia de que os benefícios estatais auferidos pelo indivíduo têm de ter como contrapartida a sua disponibilidade para a prestação de atividades de trabalho, mesmo que não remunerado. Ao nível europeu, as diretrizes sobre as políticas sociais passam a assentar na ideia de política social ativa. O princípio base é que as designadas Políticas Ativas de Emprego (PAE) poderão combater o desemprego mais estrutural. Para a operacionalização destas medidas é, contudo, necessário não só que o Estado regule e regulamente, mas também que várias entidades sejam chamadas a intervir.
Os estudos atuais em Portugal sobre a problemática da exclusão social e das medidas de inserção assentes na formação/emprego centram-se, sobretudo, nos seus beneficiários diretos e escasseia investigação sobre como as políticas de inclusão definidas ao nível central estão a ser interpretadas/operacionalizadas pelos empregadores, pelo que estudos envolvendo estes atores, em contextos locais, poderão contribuir para um aprofundamento do conhecimento desta problemática.
Desta forma, a partir de uma investigação de doutoramento em Ciências da Educação, irão ser apresentadas as representações de 14 entidades empregadoras, responsáveis pelo emprego de mais de 2000 pessoas do concelho de Espinho, sobre a aposta em medidas de incentivo à empregabilidade, concedidas aos empresários, para a contratação de pessoas em situação de desemprego e/ou exclusão social, bem como as principais vantagens e condicionantes da adoção destas medidas na ótica dos empregadores.

Authors: Patrícia Ribeiro; José Alberto Correia e João Caramelo

(43) Empregabilidade, Carreira e Empreendedorismo dos Psicólogos: Espaço OPP – Desenvolvimento Profissional

Esta comunicação apresenta os resultados do programa “Espaço OPP – Desenvolvimento Profissional”, desenvolvido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), que tem como um dos seus eixos estratégicos a Qualificação e o Emprego. Sendo a empregabilidade um dos principais desafios dos psicólogos, sejam recém-formados ou não, a decisão da criação deste projeto surge como medida de apoio a todos os membros efetivos da OPP que procurem potenciar a sua empregabilidade para a (re)integração profissional, (re)equacionar o percurso de carreira, implementação de projetos ou criação do próprio emprego. Iniciaremos a comunicação expondo os 5 momentos, que compõem o possível percurso neste programa, que se pretende flexível, dinâmico e personalizado: i) Sessão de Acolhimento, Informação, Diagnóstico e Encaminhamento realizado por técnicos de Empregabilidade da OPP (sessão individual, presencial ou a distância) ii) Sessões de consultoria temáticas de Marketing Pessoal e Profissional, Áreas Emergentes da Psicologia, Projetos e Modelos de Negócios e Coaching para a Carreira (sessões em grupo presenciais) iii) Sessões de consultoria especializada que respondem às necessidades diretas dos projetos profissionais dos psicólogos participantes (sessão individual, presencial ou a distância); iv) Sessões de balanço da implementação do projeto profissional do psicólogo participante realizado por técnicos de Empregabilidade da OPP (sessão individual, presencial ou a distância); e v) Sessões de Follow-Up realizado por técnicos de Empregabilidade da OPP (sessão individual, presencial ou a distância). Seguidamente iremos apresentar os dados relacionados com o programa, que conta com 803 psicólogos membros efetivos inscritos (entre 2014 e 2016), 63 consultores especializados em bolsa, 496 sessões de AIDE realizadas, 324 sessões de consultoria individual especializada e 1200 participantes nas sessões de consultoria em grupo. Continuaremos com uma reflexão sobre a integração dos Psicólogos no mercado de trabalho e o impacto que este programa tem tido nesta integração. Concluímos com a apresentação de casos e testemunhos de participantes do programa.

Authors: Pedro Félix e Pedro Machado

(58) A participação sindical na negociação coletiva na administração pública

Com o neoliberalismo, a administração pública passou a estar sob forte pressão, registando-se profundas mudanças no seu sistema de relações laborais. Com elas, foram introduzidos os direitos à negociação e à contratação coletivas. Neste artigo pretendemos analisar a participação sindical na negociação coletiva e os direitos que outorga aos sindicatos. Uma atenção particular será concedida às normas sobre a organização do tempo de trabalho. O padrão tradicional encontra-se profundamente estilhaçado, atendendo ao peso relevante das convenções que preveem modalidades de flexibilização. Por outro lado, um número significativo de convenções outorga aos sindicatos direitos relativos à sua participação neste domínio, mas são muitas as que não os acolhem. Será necessário percorrer ainda um longo caminho no sentido de que isso se torne possível.

Author: Paulo Marques Alves

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. Theme 6) Education and Training

(04) Metamorfoses escolares e stress ocupacional em professores do ensino básico e secundário

A profissão da docência é reconhecida a nível nacional e internacional como uma profissão de stress. Estudo descritivo e correlacional que visou caracterizar o fenómeno do stress tal como se manifesta em situações concretas do trabalho dos professores nas escolas do ensino básico e do ensino secundário. Amostra constituída por 171 professores de 7 Agrupamentos de Escolas de norte a sul do continente português. Utilizou-se um questionário sociodemográfico e a Escala Portuguesa de Stress Ocupacional – versão para a docência, de 6 pontos. Verificou-se que os professores se sentem stressados porque os valores médios encontrados se situam globalmente em 4,06, um valor bastante elevado situado entre alguma pressão e muita pressão. As dimensões mais stressantes são: disciplina (média = 4,76), estatuto profissional (média = 4,48), pressão do tempo (média = 4,42) e, com menor peso, rigidez escolar (média = 4,38).

Authors: Rui Moura; Álvaro Dias; Célia Quintas; Dilar Costa e Luísa Ribeiro

(31) As provações do trabalho dos formadores de adultos pouco escolarizados: Uma reflexão a partir da Sociologia da Individuação

Procura-se com esta comunicação fazer uma reflexão em torno das principais provações e desafios que se colocam aos formadores de adultos no seu trabalho quotidiano com adultos pouco escolarizados. Partindo de uma investigação empírica sobre as políticas e as práticas de educação e formação de adultos em Portugal que privilegiou a lógica da descoberta e o estudo em profundidade do trabalho dos formadores e enquadrada a pesquisa por uma sociologia da individuação e pelo conceito de épreuve, os resultados apontam como principais provações destes trabalhadores do social o terem que trabalhar com e sobre um público percepcionado como “difícil”; o desafio de mudar os comportamentos dos destinatários da formação; a gestão de uma ordem social potencialmente conflitual, a gestão da diferença associada a um público sentido como heterogéneo e marcado por um baixo nível de literacia e a prova da incerteza e da imprevisibilidade, traços marcantes e estruturantes do seu ofício.

Author: João Eduardo Martins

(42) A importância das parcerias entre a escola e as empresas na educação e formação de adultos e de jovens: Um estudo multicaso

A necessidade de uma maior cooperação e diálogo, entre escolas e outros setores da sociedade, como, a comunidade local, as autarquias, as empresas, as famílias, as unidades de saúde, as universidades, entre outras, e, respetivos atores envolvidos, tem vindo a acontecer cada vez mais através de protocolos de cooperação, designados, na maior parte das vezes, por trabalho em parceria. No dizer de autores como Oliveira (2010), Urze e Abreu (2015), entre outros, que sublinham a importância do fator da cooperação entre as instituições, as parcerias proporcionam uma intervenção mais ativa na resolução de problemas (Oliveira, 2010) e facultam à escola a produção de novos saberes (Urze e Abreu, 2016). Na perspetiva de Hiernaux (1997), as parcerias propiciam benefícios aos parceiros, tendo implicação nas tarefas dos atores, face ao processo negocial e objetivos comuns que desenvolvem. Na ordem desses benefícios poderão estar o combate ao insucesso e ao abandono escolar, tal como preconizam Rodrigues & Stoer (1998).
Com o presente artigo, que vem na linha da nossa comunicação apresentada no Congresso Internacional de Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho, pretendemos refletir sobre a relação entre duas escolas e duas empresas, através das perspetivas dos atores, questionando o modo de funcionamento das parcerias no âmbito da formação de adultos e de jovens. Para tal, mobilizámos contributos teóricos e empíricos. Quanto aos primeiros, recorremos à revisão da literatura sobre parcerias. No âmbito dos contributos empíricos, focámo-nos num estudo de caso múltiplo (Stake, 2010), tendo-se analisado duas modalidades de formação, em contexto de parceria. Uma, dedicada a adultos, através do processo de reconhecimento, validação e certificação de competências e, outra, destinada a jovens do ensino secundário, através de um curso profissional. A abordagem qualitativa, das quais destacamos a análise de entrevistas semiestruturas, administradas aos participantes no estudo, em número de dezoito, permitiu-nos a triangulação de dados proveniente de diferentes fontes de informação, nomeadamente a análise documental e a observação no campo. Os resultados da investigação evidenciaram a existência de coincidências entre os dois casos em estudo, destacando-se as vantagens das parcerias para a escola, para as empresas, para os formandos e alunos, que suplantam eventuais desvantagens. Quanto à existência de não coincidências entre os dois casos, para além da especificidade de cada um, poderão ser percecionados ténues traços de conflito entre duas culturas diferentes (escola e empresa). A investigação aludiu à importância de estudos futuros no âmbito das temáticas desenvolvidas .

Authors: Zulmira Rodrigues; Paula Urze e Mariana Gaio Alves

(56) Educação rural em Porto Velho/ro: experiências de professores e alunos

O presente trabalho apresenta aspectos da educação rural no município de Porto Velho, estado de Rondônia/Brasil, pela ótica de professores da rede municipal e particular. Tem como intuito ressaltar a necessidade de políticas públicas efetivas que atendam as necessidades daqueles que trabalham e se formam nos espaços educacionais, principalmente, nos espaços localizados nas áreas rurais brasileiras. O lócus da pesquisa é a Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Nazaré e o Colégio Einstein, localizadas a 120 quilômetros da cidade, mais especificamente no distrito de Nova Mutum Paraná. A metodologia adotada tem como fio condutor a História Oral, com uso de entrevistas realizadas com professoras, protagonistas das escolas rurais em foco. O referencial teórico pautar-se-á em dois documentos oficiais: A Constituição Federal do Brasil (1988) e o Plano Nacional de Educação (2014), além da contribuição do teórico Moacyr Gadotti (2013). Constata-se que 80% dos profissionais que atuam na escola rural advém da zona urbana e a partir do depoimento dos sujeitos é possível conhecermos as reais condições da escola, as dificuldades enfrentadas para deslocamento, as experiências vivenciadas no transcurso e as dificuldades enfrentadas no aprendizado dos conhecimentos científicos. Esta pesquisa contribuirá para conhecermos aspectos da realidade de uma escola rural do estado de Rondônia e para aventarmos possibilidades para implementação de políticas condizentes com o contexto.

Author: Renata da Silva Nobre

(68) Educação/formação para a paz mundial

Passamos por uma época de turbulência, própria da mudança rápida de paradigmas que sempre origina uma certa fragilidade sobretudo nas economias menos abertas à inovação e nas pessoas menos preparadas para os novos desafios.
O novo desafio consiste em pôr a tecnologia ao serviço da pessoa humana e do saber. O homem será o fator diferencial num mercado cada vez mais competitivo, em que a qualidade tende a ser o principal atrativo para os clientes e o consequente sucesso das organizações.
As profundas mudanças políticas e económicas mundiais colocam um desafio importante para a sobrevivência das organizações e incluso do próprio homem.
Assiste-se ao aparecimento de um novo tipo de economia posto em marcha com a globalização e a implementação crescente das novas tecnologias que pode pôr em causa a Paz Mundial.
É a chamada economia informacional que exige formação que muitos trabalhadores não possuem. Por tudo isso, existe o risco de que se abra um fosso entre os trabalhadores, as organizações, os países desenvolvidos e os pouco desenvolvidos, o que implica a necessidade dos vários atores sociais desenvolverem novas competências que lhes permitam adaptar-se a este contexto emergente. A chave é uma cultura/educação axiológica, baseada na solidariedade e na tolerância.

Author: António da Silva Mendes

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. Theme 7) Gender Relations

(19) Diferenças de género nos percursos estudantis e de inserção profissional de licenciados, mestres e doutores

A variável género revela-se muito pertinente na análise das transições entre educação e trabalho/emprego que subjazem aos processos de inserção profissional. Por um lado, no decorrer da expansão dos sistemas educativos assistiu-se a uma inversão das assimetrias entre os grupos feminino e masculino: de uma situação minoritária entre os estudantes em geral, nomeadamente no ensino superior, o sexo feminino passou a estar sobre representado nos grupos de alunos que têm melhores resultados escolares, os quais em maior número prolongam os seus percursos até aos níveis de escolaridade superiores. Por outro lado, no plano do trabalho/emprego observa-se desde há muitas décadas que as diferenciações entre mulheres e homens são marcantes, significando que o grupo feminino é mais frequentemente protagonista de situações e posições profissionais menos favorecidas por comparação com o grupo masculino.
Neste contexto, este texto visa contribuir para aprofundar a análise da forma como, na atualidade, a variável género configura diferenciações nos percursos estudantis e profissionais de licenciados, mestres e doutores. Para tal mobilizam-se resultados de pesquisas sobre inserção profissional de diplomados, bem como dados nacionais e internacionais sobre esta população e ainda resultados que vêm sendo obtidos no OBIPNova (Observatório de Inserção Profissional de Diplomados da Universidade Nova de Lisboa) desde 2010. Pretende-se retratar os efeitos da feminização da população estudantil do ensino superior (da licenciatura ao doutoramento) na respectiva inserção profissional, identificando eventuais especificidades do caso português no contexto europeu e ainda possíveis diferenças entre os percursos de licenciados, mestres e doutores.

Author: Mariana Gaio Alves

(52) O processo identitário e o consumo: um estudo de caso em contexto juvenil

Se alguns autores defendem que o trabalho mantém, na contemporaneidade, uma posição privilegiada na formação identitária, outros investigadores esbatem a relevância da esfera produtiva, focalizando-se no lazer. No seu entender, a preponderância do labor, que sempre foi uma dimensão importante para a identidade, sofreu um revés, ao desempenhar, actualmente, um papel menor na construção identitária, centralidade assumida pelo consumo. Com o presente artigo pretendemos inferir, precisamente, qual será o lugar que as práticas de consumo poderão assumir no processo identitário juvenil. Para atingir este propósito, operacionalizámos uma pesquisa empírica, inserida na nossa investigação de doutoramento. Para o efeito, estudámos um sector de actividade específico: o do vestuário e do calçado, dada a relevância que a aparência detém para a juventude. Assim, aplicámos um inquérito por questionário à nossa amostra, constituída por estudantes, dos sexos feminino e masculino, que se encontravam a frequentar o 9º ano de escolaridade, num dos seguintes estabelecimentos de ensino de Cascais: o Colégio do Amor de Deus, a EB 2,3 Escola Matilde Rosa Araújo ou a Escola Salesiana de Manique. Os resultados obtidos indicam que, e de acordo com as percepções da população em estudo, prevalece o consumo estratégico, em que os bens são seleccionados pelo facto de permitirem transparecer o eu do utilizador, sendo utilizados enquanto um reflexo identitário. Menos consensual do que a capacidade construtiva identitária do consumo é a sua aptidão enquanto complemento identitário, ao funcionar enquanto um sistema compensatório e reconstrutivo, isto é, capaz de auxiliar os consumidores a tornarem-se na pessoa que querem ser. De acordo com as construções que emanam das respostas dos inquiridos, o consumo limitar-se-ia a espelhar quem o indivíduo é e não quem eventualmente procuraria ser. Por outro lado, identificámos dinâmicas de género, isto é, os rapazes e as raparigas inquiridos encaram estas problemáticas de uma forma diferenciada.

Author: Cristina Santos

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. Theme 8) Human Resources Management

(06) Gestão de Recursos Humanos e Relações de Trabalho no Brasil: a emergência da crise

O artigo traz resultados de pesquisa qualitativa que analisa como a gestão de recursos humanos (RH) de empresas brasileiras interpreta as características recentes do trabalho no Brasil. No período 2000-2014 verificou-se crescimento econômico, aumento da escolaridade na força de trabalho, queda na taxa de desocupação, melhoria do rendimento dos trabalhadores, aumento da rotatividade, envelhecimento populacional, e redução da proporção de jovens no mercado de trabalho. Nas relações de trabalho, os sindicatos conquistaram aumentos reais nos acordos salariais e as greves retornaram. Após 2014 os fundamentos econômicos do país começaram a se deteriorar com queda vertiginosa do PIB, desinvestimento, aumento do desemprego e inflação, caracterizando um cenário de crise. Para análise desse contexto, metodologicamente a pesquisa apoiou-se em levantamento bibliográfico sobre mercado de trabalho, relações de trabalho e RH, bem como documentos e base de dados oficiais. Foram realizados dois grupos focais ao final de 2015 com gestores de RH de duas metrópoles brasileiras, a de menor e a de maior taxa de desocupação. Os resultados indicaram elevada complexidade para as organizações lidarem com o mercado de trabalho e sindicatos. Tais fatores são tratados pelos gestores de RH intuitivamente nas decisões estratégicas ou cotidianas, sem análise dos dados de fontes oficiais ou acadêmicas; prevalecendo informações e opiniões obtidas junto ao network da comunidade de RH. Os achados revelam três dimensões: (1) as questões referentes às relações de trabalho e ao mercado de trabalho são pouco valorizadas no âmbito da gestão de RH, não sendo, inclusive, consideradas como parte de sua formação mandatória; (2) RH e a gestão das relações de trabalho são tratadas como áreas profissionais e de conhecimento separadas e pouco integradas nas organizações; (3) a crise não demonstra ter surpreendido o RH pela sua postura reativa e subserviente aos desígnios da cúpula organizacional, demonstrando pouca leitura do contexto emergente.

Authors: Amyra Moyzes Sarsur; Marcus Vinicius Gonçalves da Cruz; Wilson Aparecido Costa de Amorim; André Luiz Fischer e Michele Ruzon Kassem

(17) Forças Armadas, Cultura Organizacional e Valores Partilhados: Estratégia, Profissionalismo Militar e Desafios na Gestão de Recursos Humanos do Exército

As Forças Armadas, fruto de constrangimentos financeiros adstritos ao Estado Português e também em consequência de contextos económicos adversos internacionais, têm sido sujeitas - à semelhança de outros organismos públicos e privados - a uma redução significativa dos seus efetivos, decorrente de vários factores que estão identificados, mas que carecem de explicações assertivas sobre as razões que materializam essas preocupações numa das áreas mais críticas da Instituição Castrense. Esta diminuição de efetivos tem implicado adaptações na gestão de recursos humanos nos Ramos das Forças Armadas, sendo que, no caso do Exército, o fenómeno de passagem à situação de Reserva tem revelado contornos sociais que merecem análise, naquilo que pode constituir uma rotura de paradigma com ligações aos clássicos modelos de profissionalismo militar.
A visão, a missão e os valores partilhados no seio do Exército Português estão bem caraterizados e refletem todo o compasso histórico e as evoluções organizacionais que aconteceram ao longo de vários séculos, mas onde se destacam, para aquilo que é o cenário atual, sobretudo, as últimas quatro décadas. Não despiciendo, o Exército Português acompanhou a evolução da própria Estratégia, pois que era necessário aludir, até para efeitos de doutrina militar, a uma aferição do enquadramento conceptual que continuasse a reconhecer hoje, tal como no passado, que a Estratégia tem evoluído como Ciência, mas continua a ser, além de Ciência, uma Arte.
E tudo isto, também perspetivado no que diz respeito às circunstâncias imprevistas das guerras, dos conflitos e das ameaças. Neste mundo globalizado em pleno século XXI, a Sociologia, a Gestão e a Estratégia apresentam contributos teóricos que se afiguram úteis para melhor explicar as preocupações ao nível de recursos no Exército Português, e que tendem a perspetivar propostas de melhoria que, no estrito sentido técnico, podem auxiliar a ação de comando e a tomada de decisão. .

Authors: David Pascoal Rosado; Ana Romão; Maria da Saudade Baltazar; Dinis Fonseca e Helga Santa Comba Lopes

(21) A relação entre a gestão de recursos humanos e o desempenho organizacional na Europa

Desde os anos 90 em que a problemática do desempenho organizacional surgiu no campo da Gestão de Recursos Humanos (GRH) que as pesquisas empíricas sobre as relações entre GRH e desempenho organizacional sugerem a existência de associações positivas entre estas variáveis, nomeadamente através de estudos de meta-análise (Boselie, Dietz, Boon, 2005; Combs, Liu, Ketchen, 2006; Crook, Todd, Combs, Woerh, Ketchen, 2011; Saridakis, Lai, Cooper, 2016).
Embora exista um forte contributo anglo-saxónico para esta corrente de pesquisa, também existem pesquisas realizadas em países da Europa continental (ex. Cabello-Medina, C., López-Cabrales, A. &Valle-Cabrera, R., 2011; Beltrán-Martín, I., Roca-Puig, V., Escrig-Tena, A., & Bou-Llusar, J. C., 2008) e algumas pesquisas com amostras de empresas europeias (Campos Cunha, Pina e Cunha, Morgado e Brewster, 2002; Campos Cunha e Pina Cunha; 2004), cujos resultados têm corroborado a existência de relações entre a GRH e vários indicadores de desempenho, embora partindo de quadros de análise diferenciados.
O objetivo desta pesquisa é analisar as relações que se estabelecem entre as práticas de GRH enquanto sistema e o desempenho organizacional, operacionalizado através de medidas perceptivas, numa amostra extensa e com dados recentes; para tal foram utilizados dados do European Company Survey 2013, referentes a 27019 empresas/estabelecimentos em 32 países europeus. Através da análise de equações estruturais foi possível encontrar relações positivas e estatisticamente significativas entre o conjunto de práticas de GRH definido e várias medidas de desempenho, reforçando a literatura nesta área; as implicações para a prática assim como as limitações da pesquisa são igualmente discutidas. .

Author: Maria Leonor Pires

(33) A Gestão de Recursos Humanos e a Competitividade das PME na Região de Lisboa

A Gestão de Recursos Humanos (GRH), em especial a gestão estratégica, desempenha um papel importante na competitividade das Pequenas e Médias Empresas (PME. O sucesso das PME depende das pessoas que as integram, e da forma como elas são geridas.
As PME desempenham uma importante função na economia, contribuindo para o crescimento económico, para o emprego, para a integração das pessoas na sociedade e para o bem-estar das mesmas. Em Portugal elas representam 99,9% do total das empresas, valor que não se altera desde 2004, contribuindo com 67% do Valor Acrescentado Bruto e com 79% do emprego total, acima dos valores médios UE28 que são, respetivamente de 58% e 67%.
O presente estudo analisa a intensidade da utilização de práticas de Gestão Estratégica de RH e a existência de uma relação entre a utilização de um sistema integrado de GRH - políticas, práticas e procedimentos - e a competitividade das PME na região de Lisboa, com base nas respostas de 110 empresas. Após a realização de um conjunto de análises de correlação sobre os dados recolhidos, verifica-se que a relação entre a GRH e a competitividade é mais forte nas médias do que nas pequenas empresas não apenas em termos globais, como também em todas as dimensões analisadas, com exceção da relacionada com a avaliação de desempenho.
Este estudo pretende contribuir para um maior conhecimento do funcionamento da gestão dos recursos humanos nas PME da região e consequentemente para uma melhor gestão dos mesmos promovendo assim uma maior competitividade, mais riqueza e mais lugares de trabalho para a região. Pode servir de base para realização de futuros estudos alargados quer a nível geográfico, quer a nível do número de empresas. .

Authors: Isabel Duarte e Luís Cunha

(37) Avaliação de riscos psicossociais e impactos econômicos das práticas organizacionais no Rio de Janeiro

Esta pesquisa parte de uma lacuna entre o discurso organizacional de investimento no trabalho e as respectivas vivências de seus atores. Com as significativas transformações do mundo do trabalho nos últimos anos, as organizações vêm experimentando pressões cada vez maiores para uma adaptação, o que torna o trabalho real cada vez mais uma perspectiva dinâmica, instável, que demanda capacidade de um agente de mudança – o trabalhador – para providenciar os ajustes necessários, de forma a obter o êxito. Destaca-se, então, um olhar para a relação entre o cenário da atual organização do trabalho e as pressões sobre este agente de mudança, que pode resultar na sobrecarga de trabalho. Assim, como as atuais práticas organizacionais têm impactado a vida dos trabalhadores e que repercussões elas têm gerado sobre o investimento em pessoas? A fim de analisar a natureza dos riscos psicossociais das práticas organizacionais e suas repercussões econômicas na atual organização do trabalho, esta pesquisa aplicou o PROART (Protocolo de Avaliações de Riscos Psicossociais no Trabalho) a 115 sujeitos, dos quais 100 são vinculados a empresas privadas e mistas, no Rio de Janeiro, sob quatro escalas: Organização Prescrita do Trabalho (EOT), Estilos de Gestão (EEG), Sofrimento Patogênico no Trabalho (ESPT) e Avaliação dos Danos Relacionados ao Trabalho (EDRT). Os resultados revelaram que a maior concentração dos sujeitos está sob níveis médios de riscos psicossociais, que representam situações limites e demandam ações a curto prazo. Em fatores como “indignidade” e “danos físicos”, por exemplo, já é possível mapear altos níveis de riscos psicossociais, o que exige ações imediatas. Estes resultados revelaram, ainda, que a natureza destas práticas organizacionais, associadas a um estilo de gestão normativo, promove sobrecarga e mal-estar, gerando impactos econômicos diretos sobre fatores como absenteísmo, rotatividade e baixo desempenho no trabalho.

Authors: Wagner Salles; Daniela Salomão Ach; Jacqueline Santana Silva e Fernando de Oliveira Vieira

(38) Trabalho Forçado Contemporâneo: uma análise sobre condições degradantes e jornada exaustiva com professores de educação física no Rio de Janeiro

O conceito de trabalho forçado, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, no Brasil, considera fatores como jornada exaustiva e condições degradantes, dentre outras condutas, que podem se caracterizar na prática de forma conjunta ou isolada. Torna-se comum observar tais condutas em alguns paradigmas de trabalho, como trabalhadores rurais, por exemplo. Porém, outras formas de trabalho chamam a atenção por apresentarem tais condutas de maneira banalizada, muitas vezes não explícita, ocultas sob vínculos formais de trabalho e reforçadas por práticas em gestão de pessoas. Estes contratos formais de trabalho emergem, sobretudo, a partir da reestruturação produtiva no processo de globalização, que fere os direitos dos trabalhadores, sob uma ideologia de trabalho flexível, mas que potencializam o adoecimento físico e mental do trabalhador. Partindo deste cenário, de que forma alguns vínculos formais podem se caracterizar como um trabalho forçado? Buscando analisar que elementos podem se caracterizar como trabalho forçado contemporâneo em vínculos formais de trabalho, esta pesquisa considerou a aplicação do PROART (Protocolo de Avaliação de Riscos Psicossociais no Trabalho) a professores de educação física, em academias de ginástica na cidade do Rio de Janeiro. Os resultados revelaram que estes profissionais experimentavam jornadas exaustivas em nome da flexibilização do trabalho. Além disto, estes profissionais eram submetidos a condições degradantes, no que se refere à restrição de direitos trabalhistas (férias, horas extras e 13º salário), ritmo penoso de trabalho, ausência de descanso e baixa remuneração. Assim, esta pesquisa levanta uma discussão sobre outras formas de trabalho que manifestam elementos como jornada exaustiva e condições degradantes, muitas vezes conduzidas por práticas na gestão de pessoas, caracterizando um possível cenário que endosse as condutas referentes ao conceito de trabalho forçado contemporâneo.

Authors: Deise de Jesus Soares Nunes; Wagner Salles; Maiara Oliveira Marinho e Fernando de Oliveira Vieira

(40) Gestão de recursos humanos no turismo

O turismo é uma actividade económica de grande importância e crescimento nas economias mundiais, responsável em Portugal por 6% do Produto Interno Bruto (PIB). O sucesso da indústria do turismo depende, em larga medida, de uma gestão estratégica dos recursos humanos que esteja alinhada com os objectivos do negócio. A satisfação dos clientes está directamente relacionada com a qualidade dos serviços prestados pelos colaboradores e é por isso um factor de competitividade das empresas turísticas. O estudo analisa, do ponto de vista teórico, as diferentes abordagens de gestão estratégica de recursos humanos na indústria do turismo e tem como objectivo perceber as competências individuais necessárias dos colaboradores e como é que estas podem ser utilizadas de forma mais efectiva. Através da análise realizada conclui-se que as principais competências que os recursos humanos que trabalham na indústria do turismo devem possuir são: competências técnicas, comportamentais e comunicacionais, nomeadamente, relacionamento interpessoal, desenvolvimento de relações positivas com os clientes, capacidade de resolução de problemas, adaptabilidade às mudanças do ambiente, flexibilidade e aprendizagem, competências de autocontrolo, entre outras. Este estudo serve para dotar a área de gestão de recursos humanos com conhecimento e instrumentos que permita uma gestão mais efectiva das competências dos colaboradores, contribuindo assim para um maior sucesso das empresas turísticas e serve de base para futuras investigações de carácter empírico.

Authors: Helena Pimentel e Isabel Duarte

(62) Profissionais de Recursos Humanos: O que procura o mercado?

A área das pessoas nas organizações é, cada vez mais, estratégica para a sua diferenciação e sobrevivência. A máxima de que as pessoas são o activo mais importante das empresas está longe de ficar obsoleta. As organizações, em geral, devem, e tal como preconizado por Schuler e Jackson (1987), adaptar a gestão de Recursos Humanos à estratégia organizacional, tendo em conta o papel requerido ao trabalhador. Esta adaptação tem implicações críticas em áreas como a inovação, a qualidade e/ou a redução de custos. Consequentemente, as políticas de Recursos Humanos são a face mais visível de como esta gestão estratégica é concebida. Neste contexto, e tendo em conta este tipo de implicações, questiona-se: qual perfil para os profissionais da função de Recursos Humanos que as empresas Portuguesas estão a procurar? O trabalho que se apresenta tem como objetivo compreender quais as competências que o mercado, em Portugal, procura para os profissionais que operam na designada função de Gestão de Recursos Humanos. O campo empírico do estudo contempla a análise de 190 anúncios de emprego para a função de Recursos Humanos (RH). Foram analisados 4 sites de anúncios online, durante 3 meses. Seguiu-se, metodologicamente, a abordagem qualitativa, recorrendo-se à análise de conteúdo. Os resultados mostram que o mercado português procura um profissional de RH com experiência na função e com um perfil onde as competências técnicas são as mais valorizadas. Finaliza-se, refletindo sobre os dilemas apresentados pelas evidências empíricas; e, discutindo-se as tendências para esta área organizacional. São, ainda, apresentadas as implicações práticas, metodológicas e teóricas, avançando com sugestões para futuras investigações.

Author: Margarida Piteira

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. Theme 10) Exclusion and Social Inequalities

(12) Políticas públicas de transferência de renda no Brasil: o caso da comunidade pantaneira de São Pedro de Joselândia

Dados os altos índices da desigualdade econômica e social histórica no Brasil, o governo nos últimos anos implementou uma série de políticas públicas, algumas delas seguindo o modelo de transferência de renda, com o intuito de promover aos indivíduos condições mínimas de existência e a sua reinserção na lógica do mercado capitalista. O “Bolsa Família”, entre outros programas, teve início nos anos 2000, e o objetivo máximo da proposta era reduzir os índices de extrema pobreza no Brasil, aliando a proposta de transferência de renda à outras políticas sociais que promoviam a cidadania no país. Nota-se que em grande parte o governo cumpriu sua proposta. Nossa observação no presente trabalho consiste em uma análise sobre a percepção e o impacto destes programas em grupos considerados minoritários, sobretudo as Comunidades Tradicionais no Brasil, tendo em vista que estas possuem uma lógica econômica distinta dos outros grupos sociais. Utilizando-se de um estudo de caso ampliado, proposto por Burawoy (2014), buscamos estabelecer uma relação causal entre elementos empíricos coletados na Comunidade Tradicional de São Pedro de Joselândia, localizada no Pantanal, norte do Mato Grosso, e dados oferecidos pelo poder público federal, ilustrando a relação entre as políticas de transferências de renda – que são tidas como paliativas – e esta Comunidade Tradicional que sobrevive, basicamente sob uma lógica de economia solidária e que, portanto, não possui como prioridade o acúmulo de capital, mas a produção da vida.

Authors: Eloisa Rosana de Azeredo e Thiago Henrique dos Santos

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