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Ficha Técnica

Índice

Editorial


. Tema 1) Globalização e Trabalho

(25) Justiça social global e o paradigma sociopolítico da OIT: reflexões a partir do caso português

Tendo por objeto a discussão da justiça social global, apresenta-se uma reflexão acerca do papel da Organização Internacional do Trabalho (OIT) enquanto referência global sobre a implementação dos direitos laborais e o seu potencial enquanto modelo emancipatório. Questiona-se a eficácia simbólica do seu paradigma sociojurídico, projetada em conceitos como o diálogo social, considerando os seus princípios normativos com base nos mecanismos de soft law. Reconhecendo o papel de crescente complementaridade assumido pelas soluções transnacionais de composição dos litígios laborais relativamente aos sistemas nacionais, apresenta-se uma análise da ação da OIT em Portugal, ancorada em duas dimensões: o recurso ao sistema de queixas e reclamações e as referências nos debates parlamentares da Assembleia da República. Reflete-se, pois, acerca o papel desta organização transnacional, com o objetivo de alcançar maior justiça social, no atual contexto de crise económica, de desemprego e de défice de trabalho digno, perspetivando o sistema de queixas e reclamações e as referências em sede parlamentar como indicadores do papel desempenhado pela OIT no domínio dos direitos humanos do trabalho.

Autores: Marina Henriques

(34) Globalização, Processos de Subjetivação e Sujeitos Periféricos: um estudo preliminar para transdisciplinarizar a sociologia

A globalização é um processo multifacetado que hoje une o mundo e ao mesmo tempo cria abismos entre os sujeitos. Considerado expressão máxima do capitalismo atual, esse conjunto de transformações acaba não só por uniformizar e monopolizar natureza e cultura, bem como também, em outros casos, incorporá-las. Consequentemente, os países periféricos hoje são os que mais sofrem com esta marcha, não só em razão dos seus altos custos econômicos como à supressão das diferenças sociais. Partindo do pressuposto que os sujeitos são efeitos dos discursos que (re)circulam na esfera social, sobretudo pela filiação de redes de memória que fazem emergir efeitos de sentidos que perpassam (n)a trama social, e que - mesmo abarcando determinados sujeitos na ordem do discurso social - estes discursos também desempenham o papel de estabilizar representações já consideradas periféricas, sustentando a produção das diferenças, compreendemos que estes estudos nos exigem um olhar epistemológico diferenciado que nos requer um aporte teórico diversificado. Tendo em vista esta tamanha complexidade, defendemos a necessidade de um estudo que parta do campo sociológico, mas que atravesse por outras epistemes. Desse modo, este artigo tem como objetivo explorar as possibilidades de se transdisciplinarizar os estudos sociológicos para darmos conta de compreender os processos de subjetivação dos sujeitos periféricos em contexto de globalização. Para isso, partimos da hipótese que, ao mesmo tempo que o sistema busca uma homogeneidade global, evidencia uma série de culturas que antes pareciam estar invisíveis. E, para se analisar essa realidade tão aparentemente homogênea, mas ao mesmo tempo múltipla, faz se necessário um estudo que atravesse por outros campos do conhecimento.

Autores: Eloisa Azeredo e Willian Almeida

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. Tema 2) Trabalho, Organizações e Tecnologia

(11) Família empresária: O que é?

Um dos debates mais promissores, hoje, prende-se com a definição do conceito família. Será que o conceito e a família variaram no tempo? No caso particular da família [empresária] que detém empresas [familiares], existe a necessidade de consenso entre aqueles que fazem parte dela, devido aos significativos bens em comum e à intensidade dos contatos – pelo menos para alguns dos seus membros –, os quais permanecerão elevados durante toda a vida.
A resposta à questão “Quem é família?” tem sido tentada em função da dinâmica do conceito família através dos tempos. Da aceitação da sua definição irá depender a evolução do negócio familiar, a liderança da família ou a divisão da herança. Contudo, um modelo não capta a realidade, somente a sugere, pelo que, continua por definir, inequivocamente, o que é a família empresária. Assim, a questão de investigação será: O que é a família empresária?
Através da revisão de literatura, com recurso aos conceitos de campo, habitus e capital simbólico, apresenta-se uma proposta exploratória de tipologia de família empresária. Esta aponta para um sistema aberto, intergeracional, com um perímetro de geometria variável, com fluxos de entrada e de saída no sistema, seja por causas naturais – nascimento e morte –, seja por razões de ordem social – adoção, casamento, divórcio, gerando assim combinatórias sempre originais, podendo torná-la potencialmente disfuncional e geradora de conflitos inter membros e/ou intra clãs.
A habitual discrição e não divulgação do que se passa no seio dessas famílias, que resistem à sua objetivação e desmistificação, as quais atuam em arenas privadas e íntimas, dificulta o questionamento e análise dos seus comportamentos intrínsecos. Por estas razões, parece ainda estar todo um caminho por fazer, na procura da delimitação do constructo família empresária, cujo pontapé de saída se tenta ativar.

Autores: Jorge Rodrigues

(31) Profissionais do Futuro: homens versus máquinas

Tem-se verificado uma crescente preocupação com a potencial substituição do trabalho humano pela tecnologia. Os recentes desenvolvimentos nas áreas da computação, robótica e inteligência artificial têm criado sistemas cada vez mais potentes, capazes de executar tarefas mais e mais complexas, anteriormente apenas executadas por humanos. Já não se trata apenas da automatização de tarefas rotineiras, repetitivas ou pesadas, mas de inúmeras outras com superiores níveis de complexidade.
Simultaneamente o desemprego tem-se mantido em níveis demasiadamente elevados, nomeadamente após o final da crise de 2007. Dever-se-á este nível de desemprego devido à falta de capacidade das economias de gerar novos postos de trabalho? Ou será que se deve ao facto de os sistemas estarem a ocupar lugares antes destinados a trabalhadores?
A segunda hipótese parece ser corroborada por evidências que mostram que, desde o início do século XX, se obtêm níveis superiores de produtividade sem que estes sejam acompanhados por crescimento do emprego. Historicamente as curvas da produtividade e do emprego avançavam juntas enquanto que nos últimos anos, nos Estados Unidos, se tem verificado uma divergência entre ambas. No artigo analisam-se os dados disponíveis sobre o emprego, a produtividade, rendimentos do trabalho, rendimentos do capital e a intensidade de desenvolvimento tecnológico, em Portugal e na União Europeia, e verifica se este fenómeno apresenta evidências comparáveis às americanas. Com este estudo pretende-se elencar futuras linhas de investigação que permitam um conhecimento maior sobre o tema. .

Autores: Isabel Duarte e Luís Cunha

(32) As Práticas de Gestão de Recursos Humanos e a Satisfação dos Trabalhadores numa empresa de consultadoria

Uma vez que as Pessoas constituem o ativo mais importante e valioso das organizações, a Gestão de Recursos Humanos assume um papel relevante a nível organizacional, contribuindo para a sua competitividade e para a capacidade de adaptação às mudanças. Se no âmbito das práticas organizacionais a nível da Gestão de Recursos Humanos forem tidas em conta as expetativas dos trabalhadores estes tenderão a alcançar elevados níveis de satisfação e consequentemente a contribuir mais para uma melhoria da performance organizacional.
Têm sido realizadas investigações em organizações de diferentes setores de atividade e de vários países para verificar o impacto que as práticas de gestão de recursos humanos têm, tanto no nível da satisfação dos trabalhadores como nos resultados organizacionais, havendo consenso em relação à indissociabilidade entre ambas (Absar; Azim; Balasundaran; Akhter, 2010).
O estudo que se apresenta ocorreu numa empresa de consultadoria que atua na área dos sistemas de informação, ciência e tecnologia sedeada em Lisboa e que conta com cerca de 350 trabalhadores dos quais 76% têm formação superior.
O objetivo geral foi identificar a relação entre as Práticas de Gestão de Recursos Humanos da empresa e a Satisfação dos Trabalhadores, sendo os objetivos específicos: a) verificar quais as Práticas de Gestão de Recursos Humanos que estão associadas a maiores níveis de Satisfação dos Trabalhadores; b) compreender quais das dimensões da satisfação no trabalho têm um maior impacto nos trabalhadores.
A nível metodológico recorreu-se a inquéritos por questionário dirigidos aos 94 trabalhadores da sede tendo sido recebidas 55 respostas. Analisou-se o efeito direto das práticas (conjuntamente) no nível de satisfação através de uma regressão linear e a relação entre cada prática e a satisfação com base em análise correlacional.
Os resultados preliminares obtidos evidenciam a existência de uma relação positiva entre as práticas de gestão de recursos humanos e a satisfação dos trabalhadores, destacando-se as práticas de formação, compensação e avaliação de desempenho. .

Autores: Jéssica Vitória, José Rebelo Santos e Rui Brites

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. Tema 3) Dinâmicas do Mercado de Trabalho e Políticas Públicas de Educação, Formação e Emprego

(03) As Políticas Públicas de Educação de Adultos em Mutação: Uma reflexão a partir de uma Sociologia Política da Acção Pública

Procura-se com este texto pensar as transformações das políticas públicas de educação de adultos na actualidade a partir de um modelo analítico inspirado na sociologia política da acção pública. Os modelos teóricos de análise das políticas públicas sofreram uma evolução nas suas propostas de compreensão da realidade à medida que as próprias políticas sofriam as suas transformações. De uma primeira leitura muito inspirada nas Policy Sciences e centrada na implementação de políticas a partir do topo do Estado caminhamos hoje para a descoberta de uma leitura sociológica inspirada no conceito de acção pública, o que abre espaço para pensar a complexidade do modo de produção das políticas a partir de uma abordagem predominantemente a partir de baixo, sem deixar de ter em conta a interpenetração dos diferentes níveis onde as políticas públicas produzem os seus efeitos. Defendemos a ideia de que as políticas de educação e formação de adultos na sociedade portuguesa são um terreno empírico de excelência para pensar os modos de produção da acção pública na contemporaneidade e em simultâneo para perceber as transformações no papel do Estado. É isso que procuramos demonstrar a partir da análise do caso português neste século XXI.

Autores: João Eduardo Martins

(04) Novas políticas de ensino superior para a quarta Revolução Industrial. Um lugar para as Humanidades

A quarta Revolução Industrial, com as tecnologias disruptivas que a caracterizam, coloca novos desafios à sociedade, nomeadamente no que diz respeito ao mundo do trabalho e à coesão social. No limite, surge a questão: conseguiremos avançar para a construção de uma sociedade mais humana? Atualmente, vários autores, de diferentes pontos do Globo, convergem na opinião de que a formação e a investigação no domínio das Humanidades também são necessárias para a concretização das expectativas mais otimistas relativas à mudança de paradigma referida. Urge, então, quebrar a dinâmica de desvalorização das Humanidades que, nas últimas décadas, se tem vindo a observar no contexto académico internacional.
Esta comunicação tem por objetivo dar voz a discursos de reconhecimento de valor na formação superior em Humanidades. São identificadas e comparadas as perspetivas de diferentes atores sociais, relevantes para a questão em estudo, tais como: universidades e empregadores; alunos, graduados e investigadores em Humanidades. Como suporte empírico, são recuperados e interpretados vários estudos já existentes, independentes uns dos outros, elaborados predominantemente com base em inquéritos. Desta forma, fundamenta-se um discurso de valorização das Humanidades, dissonante do pensamento atualmente dominante.
Esta tensão, desvalorização versus valorização das Humanidades, reflete a discussão teórica que tem existido acerca da formação avançada, debate com raízes ideológicas. Na generalidade, as universidades têm estado focadas na preocupação do serviço às economias, apostando sobretudo nas áreas que diretamente podem dar esse contributo. Entretanto, as desigualdades sociais intensificaram-se, como já não era suposto acontecer. A terceira revolução industrial parece ter sido uma oportunidade insuficientemente aproveitada em termos de coesão social, e a influência neoliberal, patente nas políticas públicas que com ela coexistiram, em particular da educação, um entrave a essa realização. Espera-se que uma maior atenção às Humanidades seja um contributo para atenuar esta tendência .

Autores: Rosário Couto Costa

(05) Controvérsias sobre a polarização e as desigualdades salariais

O debate em torno das mudanças da estrutura do emprego e da evolução das desigualdades salariais tem-se balizado por três perspetivas muito diferentes. A primeira perspetiva, dominante nas décadas 80 e 90 do século findo, baseia-se no impacto qualificante das novas tecnologias. Nesta perspetiva, argumenta-se que a evolução tecnológica faz aumentar a proporção dos trabalhadores com níveis de educação/qualificação e de salários mais elevados em detrimento dos pouco qualificados e com salários mais baixos. A segunda abordagem, muito difundida na economia do trabalho na última década, sustenta que a mudança da estrutura do emprego nas economias mais desenvolvidas tende para a sua polarização em termos de qualificações e de salários. O argumento é de que o avanço das tecnologias da informação leva ao maior aumento do emprego no topo e na base da hierarquia de qualificações/salários, à custa do nível intermédio. Por sua vez, a terceira abordagem, centrada nas estruturas institucionais, rejeita que a mudança da estrutura ocupacional do emprego seja um mero reflexo da mudança tecnológica e que a polarização do emprego e dos salários afete todas as economias avançadas da mesma maneira. Este artigo faz uma reflexão sobre esse debate teórico que ocorre na primeira parte, analisando-se, na segunda parte, alguns problemas e limitações metodológicas da investigação sobre a polarização.

Autores: Ilona Kovács e Mª Conceição Cerdeira

(12) (Des)emprego: depois da erosão e da reconfiguração (2007-2016)

Os últimos dez anos (2007-2016) foram férteis em transformações no mercado de trabalho nacional, que se revelam alinhadas com a primazia de relações socioeconómicas pautadas pelo curto prazo, a ambivalência e a paradoxalidade. As transformações no (des)emprego, que estão incrustadas nos diferentes parâmetros da população ativa, da população empregada e da população desempregada, revelam contornos peculiares e correspondem a uma nova paisagem em termos de (des)emprego. Desde 2008 temos vindo a assistir a um conjunto de mudanças, que tanto podem estar relacionadas com a estrutura etária e a distribuição setorial do emprego, como com a redução do número de empregos nos setores secundário e primário, que, no entanto, paradoxalmente, se fizeram acompanhar do aumento do volume de emprego no setor terciário. As evidências da erosão e da reconfiguração do (des)emprego são abundantes e a paisagem empregabilística nacional está diferente. O impacto das perdas de população empregada nos trabalhos a tempo completo, os ganhos de população empregada nos trabalhos a tempo parcial ou o aumento do subemprego são alguns dos factos observáveis. Esta comunicação ocupa-se da coleta, organização e leitura de um conjunto de dados oficiais, a partir dos quais é possível detalhar o mercado de trabalho que está atualmente a ser edificado em Portugal e no qual a recuperação de emprego é problematizável, nomeadamente, face à qualidade do emprego em recuperação.

Autores: Ricardo Fabrício

(18) Jovens Empreendedores: uma abordagem sociológica a partir do programa Erasmus

A reflexão que propomos resulta de um estudo sobre os jovens empreendedores portugueses que participaram no programa Erasmus para Jovens Empreendedores (EJE), lançado em 2008 pela Comissão Europeia EJE, que visa promover o espírito empresarial na Europa e apoiar novas empresas em fases cruciais do seu nascimento e crescimento. Destina-se a empreendedores de micro, pequenas e médias empresas, as quais são tidas como fatores-chave na prossecução dos objetivos da estratégia Europa 2020, dado o seu dinamismo na criação de emprego, porém afetado, entre outros aspetos, por uma exploração limitada de oportunidades internacionais.
O estudo visou perceber através de uma metodologia quantitativa, muito apoiada em análise documental de fontes secundárias e em entrevistas semiestruturadas, as motivações e as expectativas dos novos empreendedores portugueses que participaram neste programa, bem como os benefícios identificados e a satisfação com o mesmo.
Os resultados apurados mostram que apesar das taxas de execução em Portugal manifestarem limitações, numa perspetiva comparada com os outros países participantes, genericamente os novos empreendedores sentem que o programa correspondeu às suas expectativas, recomendando a sua frequência a potenciais candidatos. Os novos empreendedores referem motivações de participação no programa orientadas por uma atitude empreendedora de oportunidade mais do que de necessidade (Dornelas, 2005), sendo que os principais benefícios apontados são a melhoria do plano de negócios já existente e o incentivo à criação do próprio negócio .

Autores: Cristina Teixeira e Cristina Parente

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. Tema 4) Relações Laborais e Responsabilidade Social das Organizações

(13) Migrações e trabalho na Grande Lisboa

Diversos estudos têm mostrado que a integração laboral da população imigrante continua a possuir padrões característicos, desde logo com uma concentração assinalável em sectores e profissões específicas. Também a concentração geográfica tem sido salientada, em particular pelas implicações que daí decorrem para as práticas quotidianas e para a organização colectiva. Esta comunicação problematiza as migrações e o trabalho com base em contributos de diversas correntes teóricas, entre as quais a análise neomarxista, a perspectiva da transformação social e a lente feminista. O intuito é que a revisão de literatura aqui apresentada, bem como a discussão e a aprendizagem proporcionada pela participação no XVII ENSIOT, reforcem os alicerces da etapa seguinte de investigação, que se centrará num trabalho empírico na área da Grande Lisboa em articulação com um conjunto de sindicatos, associações de imigrantes e autarquias dotadas de Planos Municipais para a Integração de Imigrantes.

Autores: Manuel Abrantes

(17) Transparência e Cidadania Organizacional: anticorrupção e sustentabilidade

Este estudo, enquadrado numa perspetiva mais ampla sobre sustentabilidade, foca a temática da Transparência, Corrupção e Cidadania Organizacional no âmbito das relações laborais e responsabilidade social das organizações.
O objetivo geral consiste em analisar os fatores de controlo da corrupção enquanto ameaça à sustentabilidade, à responsabilidade social e à cidadania organizacional, favorecendo a transparência e a cidadania organizacional no quadro de uma sociedade do conhecimento.
Seguiu-se a orientação de delinear as dimensões do constructo de sustentabilidade, associando aos conceitos as relações laborais e a responsabilidade social das organizações, visando a consolidação de uma cultura promotora da responsabilidade social e da sustentabilidade, a nível individual e coletivo.
A partir destas reflexões, apresenta-se uma pesquisa por questionário sobre a representação da sociedade do conhecimento em âmbito organizacional e as suas características suscetíveis de criarem barreiras aos comportamentos de corrupção e dinamizarem a cidadania organizacional. Os resultados do confirmam as hipóteses lançadas sobre as características para a sustentabilidade e responsabilidade social e realçam as medidas priorizadas pelos inquiridos para desenvolvê-las e consolidá-las. .

Autores: Artur Parreira, Ana Lorga Silva e Rui Moura

(27) A negociação coletiva em Portugal 2008-2016: entre a crise e o pós "troika"

Este trabalho está enquadrado numa investigação mais aprofundada; dentro de um projeto de doutoramento, que tem vindo a ser desenvolvido sobre a negociação coletiva em Portugal, numa perspetiva diacrónica e sincrónica, por exemplo, a fim de compreender a evolução deste fenómeno, no contexto Português e em momentos particulares de rutura ou continuidade que tem marcado a sua evolução.
O presente trabalho reflete sobre uma perspetiva temporal dos últimos 8 anos e tem como contexto, a transição de uma intervenção externa particular ("Troika") e seu fim, bem como, o cenário em termos de negociação coletiva resultante desta situação.
A realidade Portuguesa em termos de negociação coletiva e das relações laborais foi atravessada por um conjunto de alterações, não só jurídicas, mas também políticas, que, juntas, têm contribuído para mudar a sua distribuição em termos de sectores (indústria, comércio e novas tecnologias, para dar exemplos de alguns setores) bem como em termos de tipos de acordos que têm sido realizados no contexto de negociação.
A negociação coletiva como objeto empírico tem um conjunto de dimensões que lhe estão associadas e que foram analisados ao longo deste estudo. Em primeiro lugar, consideramos o papel regulador que, desde então, estabeleceu um conjunto de regras e princípios para determinados grupos profissionais ou sectores.
Este estudo considera também, um conjunto de dados quantitativos e qualitativos que de alguma forma esclarecer a mudança que ocorreu dentro do período de referência (2008-2016) e explicar a mudança de negociação que parece ocorrer em termos de negociação coletiva em Portugal .

Autores: Paulo Fernandes

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. Tema 5) Políticas e Práticas de Segurança e Saúde no Trabalho

(02) Algumas perspectivas de gestão de risco no sector da indústria metalomecânica

O estudo dos riscos em ambiente de trabalho tem vindo a ser alvo dum processo de desmultiplicação em termos de campos de observação prática, em resultado da evolução que se verifica nos próprios ambientes de trabalho, onde a análise de riscos se processa, directamente, e que tem conduzido à necessidade de adaptar as investigações a essa mesma modificação de coordenadas contextuais.
A gestão do risco, por seu turno, também tem vindo a ser objecto de múltiplas definições, sempre aferidas a distintos posicionamentos dos investigadores que sobre o tema se têm vindo a pronunciar, devendo ser entendida segundo duas perspectivas:
1ª- No plano individual, referente à capacidade que o trabalhador dispõe para conseguir detectar fontes de perigo, associadas ao trabalho que efectua, e em relação aos quais o mesmo consegue desenvolver capacidades de defesa e prevenção, servindo-se da sua experiência laboral acumulada, e
2ª- Num nível organizacional, remetendo uma maior percentagem de responsabilização, face a uma maior dose de periculosidade de circunstâncias, para as chefias, funcionando como uma ferramenta de Gestão, para além dum aspecto de complementaridade indispensável a considerar em paralelo, e que reside na aferição contínua a preceitos práticos de cultura empresarial, complementando as medidas adoptadas no plano decisional.
As preocupações com a gestão de riscos, entendidas no plano empresarial - e focalizadas prioritariamente nos sectores industriais afectados de maior grau de susceptibilidade (à cabeça dos quais as indústrias ligadas ao trabalho dos metais) – começaram a tornar-se um objectivo principal de gestão, a partir de finais da década de 80 do séc. XX, nas Economias mais desenvolvidas, tanto neste domínio da gestão empresarial propriamente dita, como de igual modo no plano colectivo das preocupações sociais .

Autores: António Vieira e Ivo Domingues

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. Tema 7) Trabalho e Igualdade de Género

(23) A participação das mulheres nas direções dos sindicatos da administração pública: uma sub-representação generalizada

Nos últimos decénios tem-se vindo a assistir a uma crescente incorporação das mulheres no mercado de trabalho. Em Portugal, ela é particularmente manifesta na administração pública central, sendo que em algumas profissões na educação, na saúde e na justiça se atingem taxas de feminização superiores a 80,0%. Vários estudos internacionais têm evidenciado que o crescimento em números absolutos e relativos das mulheres na força de trabalho e nos efetivos sindicais não se tem traduzido num aumento correspondente da sua proporção nos lugares de decisão das organizações, deste modo não se providenciando uma sua adequada representação. Por conseguinte, importa apurar a situação que se verifica em Portugal entre os sindicatos com jurisdição no sector público. Com esse objetivo, procedeu-se à análise das fichas biográficas das equipas dirigentes dos sindicatos onde se registaram eleições nos últimos quatro anos (2013-2016). O confronto com as estatísticas oficiais do emprego público permite concluir pela existência de uma sub-representação generalizada, a qual é, inclusivamente, muito expressiva em várias organizações que representam trabalhadores de profissões altamente feminizadas.

Autores: Paulo Alves, Maria Botelho e Lucinéia Martins

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. Tema 8) O Papel do 3º Setor e a Economia Social e Solidária

(09) As empresas sociais de inserção na promoção do emprego e inclusão social a partir de estudos de caso europeus

As WISE (work integration social enterprise) - empresas sociais de inserção pelo trabalho - são organizações economicamente produtivas nos mercados de bens e serviços, com missão social e com propósito de inserção profissional de públicos em situação de vulnerabilidade face à pobreza e exclusão social. Num contexto nacional, marcado pela extinção da legislação da medida de política ativa de emprego e por uma ausência de política eficaz de integração destes públicos, a análise de modelos europeus, distintos e complementares, revela-se essencial para equacionar a intervenção e impacte destas empresas sociais no domínio do emprego e da inclusão social. Com base em 10 estudos de casos realizados em cinco países europeus (Áustria, Bélgica, Itália, Portugal e Reino Unido), analisamos e comparamos cada WISE enquanto exemplo de inovação social. O estudo enquadra-se nas tradições teóricas de abordagem às empresas sociais iniciadas na década de 1990 na União Europeia. Através de uma investigação-ação refletiu-se sobre as especificidades das WISE, identificando boas práticas e equacionando-as à luz do paradigma da inovação social. A amostra intencional de dois estudos de caso por país permitiu categorizar três modelos: i) modelo de transição para o mercado de trabalho regular; ii) modelo de emprego permanente; iii) modelo cooperativo de autoemprego.

Autores: Carlota Quintão, Ana Luísa Martinho e Mafalda Gomes

(10) Perfil profissional emergente de coaching para a inserção de públicos em situação de vulnerabilidade

A economia social é crescentemente reconhecida política e academicamente como um setor-chave contra a pobreza e exclusão social. A atual Estratégia Europeia e nacional 2020 prioriza a área do emprego e da inclusão social, na qual as WISE (work integration social enterprise) - empresas sociais de inserção pelo trabalho - são uma aposta incontornável pelo elevado potencial de impacte social. Neste contexto, emergem perfis profissionais de acompanhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade nos seus diferentes percursos de inserção socio laboral.Com base em 10 estudos de casos em cinco países europeus (Áustria, Bélgica, Itália, Portugal e Reino Unido), analisamos funções de coaching com vista a identificar necessidades formativas e desafios comuns da qualificação e certificação dos profissionais que operam neste subsetor das empresas sociais na União Europeia. A função de coaching constitui o fator distintivo das WISE, enquanto modelo de intervenção na promoção de itinerário de inclusão social. É um fator crítico à eficácia da inserção de públicos desfavorecidos e às transformações sociais mais vastas, designadamente nos mercados de trabalho. O coaching é um instrumento de empowerment orientado por estratégias de acompanhamento de desenvolvimento pessoal e profissional. A abordagem qualitativa do estudo permitiu identificar um conjunto de 17 atividades de coaching, associadas às três fases do trabalho de acompanhamento das pessoas em situação de vulnerabilidade, a saber: 1. Acolhimento e diagnóstico; 2. Itinerário de inserção; 3. Transição para o mercado de trabalho regular. Na primeira fase, o trabalho de coaching passa por desenvolver um diagnóstico integral da situação pessoal do beneficiário, bem como da sua situação profissional, com vista a co construir um plano de ação com recurso a metodologias participativas. A fase do Itinerário de inserção constitui o eixo de desenvolvimento de competências de empregabilidade, associado a conhecimentos específicos de determinadas áreas, através de formação de base e complementar, acompanhamento contínuo, estágio, contratos de trabalho de curta duração num sistema de trabalho temporário. A última fase, associada a todo o Processo de transição para o mercado de trabalho regular, engloba sessões de coaching e formação individual e/ou coletiva para a procura ativa de emprego para os beneficiários, a par de um trabalho dirigido aos empregadores nomeadamente no apoio à função de gestão de recursos humanos nas fases de recrutamento e integração).

Autores: Carlota Quintão, Ana Luísa Martinho e Mafalda Gomes

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