O autor analisa a formação da procura do ensino superior a partir de dois casos que envolvem duas oposições consideradas fundamentais: ensino universitário/ensino politécnico; tecnologia/humanidades. O pressuposto teórico de partida prende-se com a importância do conhecimento científico dos processos sociais nos domínios da acção estatal. O bem "ensino" é concebido enquanto produto da interacção existente entre as intenções do Estado e a conduta dos actores sociais envolvidos - professores e alunos. A metodologia adoptada foi, para o primeiro caso, a análise das séries cronológicas de matriculados (1929-91) em três localidades (Lisboa, Coimbra e Porto) e, no segundo caso, a análise dos resultados dos dois inquéritos, um realizado por uma equipa do Instituto da Prospectiva, o outro realizado pelo Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação às populações escolarizadas dos diversos graus de ensino. Em conclusão, o autor chama a atenção para a importância de estudos desta natureza porque correspondem a uma das condições para que tenha lugar uma "boa interacção" entre o bem que é oferecido, neste caso o ensino, e a sua apropriação pelos agentes da procura.