A Ditadura Militar implantada a 28 de Maio de 1926, invocando a necessidade de acabar com os deficits dos Caminhos de Ferro do Estado e disciplinar o seu pessoal "anarquizado", decidiu arrendar à CP as redes do Minho do Douro e do Sul e Sueste, cuja exploração há mais de 50 anos era do domínio estatal. Este artigo historia primeiro a formação, em 1899, da empresa pública avant Ia Iettre C. F. E. e o seu funcionamento até aos finais da 1ª República. Analisa, depois, o processo de decisão e legitimação pela Ditadura da entrega das linhas estatais a uma entidade "privada", constatando a debilidade da sua fundamentação técnica ou económica e a preponderância de motivações político-ideológicas. A história desta "privatização" - que, julgada pela evolução realmente verificada nos anos que se lhe seguiram, teria de ser considerada um verdadeiro desastre - não prova os malefícios da gestão privada, constituindo antes uma análise dos verdadeiros objectivos dos que a decidiram e uma denúncia das manipulações político-ideológicas que lhe serviram de justificação.