A participação na tomada de decisões pode ser encarada segundo diversas perspectivas: com ênfase na humanização e democratização do trabalho, numa perspectiva instrumental de melhoria da competitividade ou ainda na óptica de mudanças sócio-culturais que marcam a passagem da sociedade industrial para uma sociedade pós-industrial. Este artigo incide particularmente sobre a perspectiva instrumental da melhoria da competitividade. Procede-se a uma análise crítica das visões optimistas das teorias de Gestão de Recursos Humanos que anunciam a era da valorização dos recursos humanos e o reconhecimento generalizado do seu valor estratégico como factor de competitividade. Caracterizam-se diferentes estratégias seguidas pelas empresas com vista a melhoria da sua competitividade: a estratégia de redução de custos de mão-de-obra, a estratégia de inovação "tecnocêntrica", a estratégia de inovação inspirada no modelo "lean production" e a estratégia de inovação "antropocêntrica" centrada nas pessoas e na organização. Procura-se evidenciar os efeitos diferenciados da utilização de estratégias diferentes na estruturação dos recursos humanos e na participação. Chama-se a atenção para a ambiguidade de algumas formas institucionalizadas de participação directa e de novas formas de organização do trabalho. Frequentemente, a promoção numa perspectiva tecnicista de algumas formas de participação directa não aumenta a participação de facto, por deixar intactos os principais factores da não participação ligados à organização do trabalho. A promoção da polivalência, do trabalho em grupo pode ser feita com o objectivo de reduzir o número de pessoal, sem melhorar as qualificações, mantendo as relações hierárquicas e o conteúdo anterior do trabalho. Mas estas mesmas formas podem ser promovidas como formas intermédias num processo de inovação orientado para a transformação global da empresa numa estratégia antropocêntrica. Na última parte analisam-se alguns resultados de inquéritos realizados em Portugal, mostrando que a participação, de modo semelhante como em muitos outros países, tende a inscrever-se num processo de crescente individualização das relações de trabalho.