A compreensão de e a intervenção em sistemas tão complexos como as organizações, aconselha o uso de grelhas teóricas capazes de abarcar essa complexidade e de a tornar compreensível. Tal compreensibilidade passa necessariamente pela busca de um grau de simplicidade ao qual não se acede sem custos, mas esse é o preço a pagar pela redução de um sistema complexo a um quadro teórico acessível. Neste artigo defende-se a necessidade de, nesse esforço de simplificação, não se diminuir o nível de complexidade requerida até um patamar demasiado baixo. Para que a representação das organizações continue fiel à realidade, os modelos organizacionais não podem deixar de incorporar uma parte da complexidade importada do objecto analisado. Representações demasiado simples das organizações devem, por isso, ser olhadas com desconfiança, porque a simplicidade tem custos para as organizações (vide Miller, 1993). Representações simples são aquelas que se mostram atentas a um aspecto particular do funcionamento organizacional mas que se revelam ao mesmo tempo incapazes de verificar que outros factores são pelo menos tão importantes como aquele que se está a estudar. A conjugação de quadros organizacionais e a via integrativa são sugeridas como direcções possíveis para abarcar a complexidade das organizações. Neste quadro, merece particular atenção uma meta-metáfora, a da organização como amálgama, capaz de integrar de forma dinâmica e consistente as diversas metáforas organizacionais.