O modelo de produção magra vem introduzir uma "revolução" no campo das relações laborais na indústria automóvel. A sua aplicação expõe os trabalhadores a uma organização de trabalho baseada no trabalho de equipa, onde a interdependência criada nas relações entre os trabalhadores suscita um certo grau de envolvimento no trabalho. Paralelamente, a gestão de recursos humanos procura fomentar uma comunidade de produção, definindo objectivos e responsabilidades que devem não só ser compartilhados pelos membros da equipa de trabalho, mas também funcionar como o elo de ligação entre os interesses dos trabalhadores e os da empresa. Deste modo, o sentimento de classe e as relações laborais baseadas no antagonismo - próprios do Fordismo - tendem a ser neutralizados em benefício dum sentimento de comunidade. O sentimento de classe tende a enfraquecer em benefício de uma identificação colectiva, mas que é limitada à empresa. Neste texto, procedemos a uma abordagem empírica das implicações desta cultura de comunidade centrada na empresa sobre as relações laborais. Com base num estudo realizado na AutoEuropa, empresa resultante de uma joint-venture entre a Ford e a Volkswagen radicada como greenfield site em Palmela, Portugal, e cuja operação e organização se fundam expressamente no paradigma da produção magra, analisamos neste texto a evolução das relações industriais e a formação das atitudes dos trabalhadores face ao sindicalismo, à sindicalização e à representação colectiva.