Pretende-se com este artigo dar a conhecer uma síntese dos resultados de um estudo sobre sobre a problemática das relações sócio-profissionais no trabalho em equipa na saúde. A investigação foi realizada entre 1994 a 1996, em três centros de saúde do Distrito de Beja, onde se interrogaram as influências das normas, das crenças e dos valores partilhados pelos profissionais nas relações de sociabilidade e no modo de funcionamento nas organizações em causa. Baseando-se na percepção do ponto de vista dos profissionais quanto à organização do trabalho, sem neglicenciar a abordagem dos efeitos que as configurações identitárias actuam sobre o espaço de inserção sócio-profissional, procurou-se através dos resultados encontrados na investigação empírica reconstruir a lógica do campo sócio-profissional nos centros de saúde. Neste artigo, foi apresentada na primeira parte uma síntese da discussão teórica de dois dos temas analisados na pesquisa (a lógica da prática em equipa na saúde e do campo sócio-profissional). Na segunda parte descreve-se e analisa-se sumariamente os efeitos das diferenciações identitárias nas relações sócio-profissionais no quotidiano dos centros de saúde.