O modelo lean production depende do envolvimento dos trabalhadores em actividades de melhoramento contínuo (kaizen). De facto, no âmbito deste modelo, os trabalhadores são incentivados a contribuir com ideias e sugestões e, deste modo, a melhorar continuamente aspectos relativos ao seu trabalho. Este artigo resulta de uma análise das actividades kaizen desenvolvidas no âmbito da lean production. Procura-se aqui dar resposta às seguintes questões: em que medida estas actividades representam uma ruptura com um dos princípios básicos do taylorismo - a separação entre concepção e execução? Quais são as suas implicações ao nível da democratização das relações de trabalho, da distribuição do poder e das estruturas de participação indirecta (estruturas representativas dos trabalhadores)? Conclui-se neste estudo que as actividades de melhoramento contínuo estão limitadas à esfera produtiva/operacional e não têm implicações ao nível das políticas da empresa, pelo que devem ser consideradas actividades de envolvimento e não concretamente de participação. Ainda, dado que o kaizen está orientado para a normalização, para simplificação dos processos e para a eliminação de todos os tempos e movimentos inúteis, concluímos que não constitui por si só um elemento de ruptura com os princípios elementares do taylorismo.