O presente artigo relata a metodologia e as conclusões da aplicação de um procedimento para avaliação da auto-percepção da carga de trabalho em operadores de caixa de supermercado. A metodologia foi adaptada de NASA Task Load Index (TLX) tendo sofrido alterações de pormenor em consequência da especificidade da população, do contexto de trabalho e da língua Portuguesa. Foi aplicada a 82 operadores de caixa de 20 diferentes pequenos supermercados da região da grande Lisboa, tendo quantificado a importância e a intensidade de seis diferentes dimensões de trabalho. As dimensões que se revelaram com maior importância para a carga de trabalho foram o nível de stress (traduzido por sintomas de irritação, nervosismo, aborrecimento e mau humor) e a auto-avaliação da sua actividade profissional (a capacidade para realizar com sucesso o trabalho que é solicitado), tendo ambas contribuído para a carga de trabalho com uma percentagem de 54%. Relativamente à intensidade com que as diferentes dimensões foram percepcionadas pelos operadores de caixa, o ritmo de trabalho, o trabalho físico e o trabalho mental, foram percepcionados com intensidade entre moderada e forte, não se observando uma diferença significativa entre estas três dimensões. Foi nas lojas da classe discount que a carga de trabalho se revelou mais intensa, com uma pontuação ponderada de 54 pontos, 50% mais elevada que nas lojas das classes tradicional e moderna.

Pretende-se neste artigo abordar a problemática dos novos enquadramentos sociolaborais, nomeadamente no que se refere a forma como o género se apresenta enquanto princípio de diferenciação das experiências de trabalho. Abordaremos a questão da centralidade do trabalho e da sua articulação com a esfera privada, mostrando que se mantém vigente um padrão de distribuição desigual das responsabilidades familiares e domésticas entre os sexos, situação que se repercute particularmente no trabalho remunerado das mulheres. Abordaremos ainda a questão da produtividade masculina e feminina das imagens de género que parecem estar no centro da apreciação dos empresários.

Neste artigo são apresentadas algumas conclusões elaboradas como resultado da participação da autora no projecto SOWING, projecto europeu em que participaram oito países. O ponto de partida e tema do projecto é o de se tentar saber qual é a relação existente entre a introdução de novas tecnologias, as mudanças nas condições de emprego, e a organização do trabalho. Além disso deveria conhecer-se até que ponto as mulheres em particular são afectadas adversamente por estes desenvolvimentos. E este é precisamente o assunto do artigo que se segue. Como a investigação sociológica mostra muitas vezes, a introdução de novas tecnologias, comas consequentes mudanças nas condições de emprego e na organização do trabalho, restringem as possibilidades das mulheres em encontrar emprego remunerado e com vínculo.

Na sequência de um projecto realizado entre as Universidades de Bolonha, Politécnica de Valência e o ISCTE, no âmbito do Programa Leonardo da Vinci, sobre "Segurança, Prevenção e Qualidade de Trabalho", os autores fazem uma breve apresentação dos paradigmas existentes sobre este tema, referem a construção do quadro normativo que tem vindo a ver montado ao longo dos anos 90 no nosso país e as dificuldades experimentadas no diálogo social, apresentam alguns resultados de investigação e esboçam perspectivas para o futuro próximo da segurança, higiene e saúde no trabalho em Portugal.

Subcategories