No presente artigo são apresentados os principais resultados de um projecto de investigação. O objectivo do estudo era o de analisar as repercussões da modernização organizacional e tecnológica de empresas do sector têxtil nos perfis profissionais dos trabalhadores. Procuramos aqui dar resposta às seguinte questões: as mudanças tecnológicas e as opções organizacionais implicam a renovação dos perfis profissionais dos recursos humanos? A introdução de nova tecnologias e/ ou de novos modelos organizacionais nos sistemas de trabalho conduzem a uma requalificação ou a uma desqualificação dos trabalhadores? Concluímos neste estudo que a mudança organizacional e/ ou a introdução de novas tecnologias dão origem a uma redefinição das situações de trabalho, aqui exige uma recomposição dos perfis profissionais, provocando todavia efeitos contraditórios sobre a qualificação, não sendo possível aceitar à priori a ideia de uma única tendência no sentido da requalificação ou da desqualificação dos trabalhadores.

Este artigo, baseado nos resultados de uma investigação empírica, pretende prestar um contributo para a análise da dinâmica das transformações dos perfis profissionais dos trabalhadores do sector químico. O estudo dos perfis profissionais tem de ser analisado no contexto da transformação da economia, da difusão de novas formas de organização do trabalho e da evolução rápida de novas tecnologias. Ao criar potencialidades para responder aos desafios do mercado, a combinação de opções organizacionais mais flexíveis com os modelos técnicos adoptados coloca novas exigências em termos da qualificação dos recursos humanos. Daí que se possa afirmar que essas tendências de mudança a nível do sistema produtivo têm vindo a implicar a ocorrência de transformações no tipo de conhecimentos e competências necessários ao exercício de determinada ocupação profissional, ou seja, no perfil profissional dos trabalhadores. O objectivo deste estudo consiste em analisar as repercussões das transformações dos sistemas organizacionais e tecnológicos sobre os perfis profissionais dos recursos humanos de duas empresas do sector químico.

O estudo visa mostrar como o género, antiguidade e tempo de contacto superior-subordinado moderam as relações entre as percepções de justiça e os comportamentos de cidadania organizacional (CCO). A amostra inclui 271 díades superior-subordinado. Cada superior descreveu os CCO de um seu colaborador, tendo sido consideradas quatro dimensões: harmonia interpessoal, conscienciosidade, iniciativa e identificação com a organização. Os subordinados reportaram as suas percepções de justiça (distributiva, procedimental e interaccional). Os resultados sugerem que: a) a justiça interaccional predomina na explicação dos CCO; b) os colaboradores mais antigos na organização e com maior período de convivência com o seu superior são mais reactivos às percepções de (in)justiça; c) as reacções às percepções de justiça também não são independentes do género. A evidência produzida sugere que, para se compreender a ocorrência dos CCO, é proveitoso adoptar perspectivas contingenciais.

Este artigo procura analisar de que forma as profundas alterações verificadas no contexto socioeconómico têm afectado as áreas científicas da SIOT (Sociologia Industrial, das Organizações e do Trabalho) e da Gestão. Procura-se aqui dar resposta às seguintes questões: em que medida é que as mudanças no mundo do trabalho e das empresas estão reflectidas nas temáticas estudadas por ambos os domínios científicos? A SIOT e a Gestão têm convergido ou divergido no seu discurso e nos seus objectos de estudo? Para poder responder a estas questões, recorreu-se à técnica bibliográfica, concretamente a duas bases de dados: Sociofile e ABI.

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