Este artigo resulta de uma reflexão sobre as proximidades que unem a actividade sindical à de sociólogo. A partir de um estudo assente no método biográfico (histórias de vida), dá-nos conta das principais motivações que atraem sindicalistas pela formação em Sociologia. No fundo, a maioria dos entrevistados é movida pela necessidade de compreender melhor a rede complexa de relações sociais que caracteriza a sociedade contemporânea para, num segundo momento, projectar os seus conhecimentos em reivindicações fundamentadas.

As "relações industriais" e a institucionalização dos conflitos de trabalho surgiram em Portugal só após 25 de Abril de 1974, numa altura em que a regulação social fordista e o estado-providência entravam em crise nos países centrais. A "excepcionalidade" portuguesa neste domínio não releva de um mero desfasamento temporal, mas radica no trajecto histórico peculiar da nossa sociedade, designadamente no modo como se forjou a consciência de classe operária, que constitui o centro do movimento operário.

O artigo analisa as consequências das práticas de reorganização correntes nas empresas, em termos de quantidade e qualidade do emprego. As empresas avançam com processos de reestruturação, sob a pressão de uma concorrência intensa e seguindo as modas de gestão, num ambiente de forte adesão à ideologia da competitividade. Em muitos casos a reorganização limita-se a aplicações sucessivas de downsizing, com vista à redução de custos. Procede-se a uma análise crítica da ideologia da flexibilização do mercado de trabalho e chama-se a atenção para os aspectos negativos da expansão de formas flexíveis de emprego para as empresas e para os indivíduos, bem como para as ambiguidades da flexibilização do tempo de trabalho. A parte final interroga-se sobre perspectivas futuras, confrontando algumas propostas para a solução da crise do emprego.

Partindo de diferentes abordagens que pretendem classificar a época em que vivemos, o autor reflecte sobre o papel que o trabalho ocupa no processo de maturação das sociedades actuais. O lugar e a importância do trabalho nas sociedades contemporâneas está a sofrer importantes transformações, às quais não é alheia a germinação dos chamados efeitos perversos inerentes ao próprio sistema. Entre esses efeitos, o que nos interessa aqui reter refere-se ao aumento do desemprego. Esboça-se e ensaia-se assim uma reflexão sobre duas das causas normalmente associadas a este fenómeno (a globalização financeira e o progresso tecnoIógico), e procura-se analisar os seus reflexos no caso português. Não havendo uma solução única para o combate ao desemprego -pois este não se coloca sempre do mesmo modo nem com a mesma intensidade -propõem-se, ainda assim, algumas medidas de rumo para o futuro que, de uma forma ou de outra, parecem ajustar-se à generalidade das situações.

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