Inicialmente, a tecnologia, surge como a solução "milagrosa" para desenvolver capacidade de resposta às novas situações e em simultâneo permitir a manutenção, no essencial, dos sistemas de poder e de relações existentes. O insucesso destas opções, a evolução do debate a nível científico tem conduzido à compreensão de que apenas no seio de uma nova lógica organizacional será possível que as empresas desenvolvam capacidade de resposta adequada às mudanças aceleradas.

A existência de um circuito mundial de quadros inseridos em empresas transnacionais é um facto há muito conhecido pela bibliografia internacional, mas ainda insuficientemente investigado. Os mecanismos de circulação internacional destes agentes envolvem, pela sua própria natureza, alguma especificidade. O facto de utilizarem um "canal" organizacional para a movimentação retira-lhes grande parte dos constrangimentos que agem sobre os migrantes "individuais" de trabalho, quer de reduzida, quer de elevada qualificação (o brain drain). Neste texto, pudemos esclarecer algumas das dimensões destes movimentos. De relevar está a sua dependência de um conjunto de variáveis: a fase de desenvolvimento da empresa; a orientação dos investimentos; o tipo de actividade principal (indústria ou serviços); o tratar-se de uma empresa nova ou já instalada; o facto de a empresa adquirida se apresentar em condições de crise ou de saúde económica; e a nacionalidade ou cultura de empresa. O tipo de inserção profissional dos quadros cria, ainda, constrangimentos particulares: se as deslocações "técnicas" resultam sobretudo da escassez de qualificações, as colocações de "gestão" ficam subordinadas a questões relacionadas com o controlo e a confiança.

Este artigo tem como base uma investigação sociológica realizada numa zona crítica em termos de desemprego: a Azambuja. Trata-se de um trabalho de pequena dimensão territorial, mas que analisa a problemática do desemprego em profundidade. Para além de contribuir para um conhecimento de uma problemática ainda pouco explorada, procurámos ainda criar condições para o desenvolvimento local no que se refere ao emprego, de modo a que agentes e actores locais se empenhassem de forma conjunta numa problemática que estão habituados a equacionar, em geral, de forma individualizada. Para tal adoptámos uma metodologia que acrescenta à investigação tradicional, a componente acção.

Nesta nossa comunicação, caracterizaremos as circunstâncias envolventes do fenómeno do trabalho precário em Portugal, considerando-o como um Estado-membro da União Europeia (UE). Dada a rigidez do mercado de trabalho, que é frequentemente expressa pela mundial "competitividade", analisaremos a excessiva regulamentação do Direito do Trabalho como uma das principais causas possíveis de desemprego, uma vez que não permite a necessária mobilidade da mão-de-obra no mercado de trabalho dos nossos dias. Reflectiremos sobre o reverso da situação: o cenário do agravamento dos conflitos sociais entre aqueles que têm segurança no emprego e aqueles que têm trabalhos precários.

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