A existência de um circuito mundial de quadros inseridos em empresas transnacionais é um facto há muito conhecido pela bibliografia internacional, mas ainda insuficientemente investigado. Os mecanismos de circulação internacional destes agentes envolvem, pela sua própria natureza, alguma especificidade. O facto de utilizarem um "canal" organizacional para a movimentação retira-lhes grande parte dos constrangimentos que agem sobre os migrantes "individuais" de trabalho, quer de reduzida, quer de elevada qualificação (o brain drain). Neste texto, pudemos esclarecer algumas das dimensões destes movimentos. De relevar está a sua dependência de um conjunto de variáveis: a fase de desenvolvimento da empresa; a orientação dos investimentos; o tipo de actividade principal (indústria ou serviços); o tratar-se de uma empresa nova ou já instalada; o facto de a empresa adquirida se apresentar em condições de crise ou de saúde económica; e a nacionalidade ou cultura de empresa. O tipo de inserção profissional dos quadros cria, ainda, constrangimentos particulares: se as deslocações "técnicas" resultam sobretudo da escassez de qualificações, as colocações de "gestão" ficam subordinadas a questões relacionadas com o controlo e a confiança.