O modelo lean production depende do envolvimento dos trabalhadores em actividades de melhoramento contínuo (kaizen). De facto, no âmbito deste modelo, os trabalhadores são incentivados a contribuir com ideias e sugestões e, deste modo, a melhorar continuamente aspectos relativos ao seu trabalho. Este artigo resulta de uma análise das actividades kaizen desenvolvidas no âmbito da lean production. Procura-se aqui dar resposta às seguintes questões: em que medida estas actividades representam uma ruptura com um dos princípios básicos do taylorismo - a separação entre concepção e execução? Quais são as suas implicações ao nível da democratização das relações de trabalho, da distribuição do poder e das estruturas de participação indirecta (estruturas representativas dos trabalhadores)? Conclui-se neste estudo que as actividades de melhoramento contínuo estão limitadas à esfera produtiva/operacional e não têm implicações ao nível das políticas da empresa, pelo que devem ser consideradas actividades de envolvimento e não concretamente de participação. Ainda, dado que o kaizen está orientado para a normalização, para simplificação dos processos e para a eliminação de todos os tempos e movimentos inúteis, concluímos que não constitui por si só um elemento de ruptura com os princípios elementares do taylorismo.

Depois de uma breve caracterização de algumas das dimensões da qualidade e da qualidade total no campo das organizações empresariais, o autor incide a sua análise sobre as ligações críticas entre os discursos da qualidade, da qualidade total e da educação. Defende, depois, que a retórica da qualidade total pode ocultar outras agendas que vão no sentido de omitir, em nome de valores gerencialistas, a emergência de outros valores que têm a ver com a cidadania e com os direitos democráticos. Congruentemente, o artigo termina relacionando a qualidade total no campo educativo com o novo mito da racionalidade técnica, cumprindo ao mesmo tempo, e num contexto institucional de mercado, a função, entre outras, de credibilização externa das organizações educativas.

O presente artigo tem como objectivo traçar a configuração das diferentes acepções da função pessoal, a sua evolução e o seu estado da arte em Portugal, bem como as principais características de que se reveste no nosso país. O percurso da função pessoal agora apresentado foi traçado a partir da análise da produção científica na área das ciências sociais, e decorre das investigações realizadas no âmbito das dissertações de mestrado em Políticas e Gestão de Recursos Humanos das autoras.

A sociedade portuguesa tem confinado as mulheres ao desempenho de tarefas eminentemente domésticas. É difícil para as mulheres a construção de uma carreira profissional nas empresas, dificultada por valores sociais que "guardam" o mundo dos negócios para os homens. Esta investigação mostra como as mulheres estão arredadas das empresas ainda que lhes seja mais fácil progredir quando essas empresas são da sua própria família. Só em percentagens diminutas, ou devido a factores negativos, as mulheres assumem a direcção de topo nas pequenas empresas familiares.

A partir de uma perspectiva de género, o artigo apresenta algumas reflexões sobre como as mudanças ocorridas no processo de industrialização em escala global vêm afectando o trabalho das mulheres na América Latina. Até final dos anos 70, as análises sobre a formação de uma nova força de trabalho feminina nos países em desenvolvimento enfatizavam a nova divisão intemacional do trabalho caracterizada pela realocação da produção nas indústrias de exportação dos países em desenvolvimento. A agenda dos temas em discussão, no entanto, amplia-se nos anos recentes. As questões examinadas vão agora desde os novos empregos industriais, até às novas formas de empobrecimento associadas ao paradigma da flexibilidade na produção industrial, tal como o trabalho a tempo parcial, o trabalho temporário ou, inclusivé, o trabalho ao domicílio. O artigo discute como estas distintas questões se apresentam na América Latina, mostrando a forma diferenciada de inserção de homens e mulheres num mercado de trabalho maioritariamente desregulado devido ao importante peso do sector informal em grande parte dos países da região. Chamando a atenção para a importância da incorporação ao mercado de trabalho para a valorização individual e social das mulheres, a autora lembra que a superação das desigualdades entre os sexos implica numa importante modificação das práticas na vida quotidiana.

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