Pretende-se com este artigo dar a conhecer uma síntese dos resultados de um estudo sobre sobre a problemática das relações sócio-profissionais no trabalho em equipa na saúde. A investigação foi realizada entre 1994 a 1996, em três centros de saúde do Distrito de Beja, onde se interrogaram as influências das normas, das crenças e dos valores partilhados pelos profissionais nas relações de sociabilidade e no modo de funcionamento nas organizações em causa. Baseando-se na percepção do ponto de vista dos profissionais quanto à organização do trabalho, sem neglicenciar a abordagem dos efeitos que as configurações identitárias actuam sobre o espaço de inserção sócio-profissional, procurou-se através dos resultados encontrados na investigação empírica reconstruir a lógica do campo sócio-profissional nos centros de saúde. Neste artigo, foi apresentada na primeira parte uma síntese da discussão teórica de dois dos temas analisados na pesquisa (a lógica da prática em equipa na saúde e do campo sócio-profissional). Na segunda parte descreve-se e analisa-se sumariamente os efeitos das diferenciações identitárias nas relações sócio-profissionais no quotidiano dos centros de saúde.

As empresas, enquanto estruturas complexas, assumem diversas formas de organização interna. Consoante o contexto envolvente - movimento de ideias inerente ao contexto histórico, política económica, política laboral, política social, segmento(s} de mercado visado(s}, grau de sofisticação tecnológica requerido, etc. - assim a organização estrutural da empresa, a organização do trabalho e as formas como são encarados os recursos humanos variam, dando lugar a situações diferenciadas. O tipo de gestão de recursos humanos praticado depende, em última análise, do grau de desenvolvimento sócio-político-cultural da sociedade em que trabalhadores e empresas se inserem. O presente texto caracteriza os portugueses através de um conjunto de indicadores construídos com base nos indicadores que Geert Hofsted utiliza para avaliar aquilo a que este autor chama "Cultura Nacional". Deste modo podemos verificar o "posicionamento" dos portugueses relativamente a um conjunto de valores e representações face ao trabalho e, assim, perspectivar o tipo de gestão de recursos humanos que podemos encontrar nas empresas portuguesas.

Este trabalho analisa o Centro de Investigação, Desenho e Desenvolvimento da Deplhi (General Motors), recentemente estabelecido em Ciudad Juárez (México). Este centro de I&D desenha e desenvolve protótipos de componentes para a indústria automóvel, assim como a sua fabricabilidade, e mantêm escalonamentos produtivos com fábricas montadoras maquiladoras da mesma firma. A ideia central do trabalho é determinar se este caso repre- senta um salto radical tecnológico orientado para a conformação de um conglomerado industrial, ou se se trata de um estabelecimento localizado no México com o fim de tornar mais barata a mão de obra altamente qualificada, e desvinculada regionalmente em termos produtivos. Dito de outro modo, estamos perante a presença do primeiro centro de I&D na fronteira norte do México ou de uma fábrica maquiladora de alta tecnologia? A metodologia do estudo baseia-se em entrevistas com o pessoal da Delphi e da sua empresa-mãe.

O desenvolvimento e a modernização - noções polissémicas - constituem uma aspiração generalizada em todas as partes do mundo. Na literatura sociológica patenteia-se agora, nesta área, uma certa convergência das principais correntes teóricas. Uma sociedade funciona e, simultaneamente, muda, passa de um sistema social a outro. Quanto mais heterogénea é uma sociedade, mais nela se misturam sincronia e diacronia.

Este artigo apresenta alguns resultados e as principais conclusões de um projecto de investigação recentemente concluído. O projecto subordinado ao tema "Novos modelos de produção na indústria portuguesa" procurou indagar quais os princípios, concepções e métodos que orientam os processos de modernização das empresas industriais portuguesas e quais os modelos de produção subjacentes aos processos de racionalização. Os modelos de referên- cia utilizados foram o modelo neo-taylorista/neo-fordista, o modelo lean production e o modelo antropocêntrico. Foram estudadas 18 empresas abrangendo diversos sectores industriais e regiões. É feita a síntese dos resultados referentes às dimensões estudadas: orientações estratégicas, inovação tecnológica, recursos humanos, organização do trabalho, participação e relações laborais. A parte final do artigo incide sobre as principais conclusões do projecto.