A compreensão e tratamento do fenómeno da resistência à mudança organizativa, no contexto da Administração Pública, pressupõe a identificação das causas em conjugação com as variáveis psicossociais nele implícitas. Este complexo binómio permitirá esclarecer os comportamentos de evitamento dos actores sociais, perante a situação de redesenho de alguns parâmetros estruturais ou de implementação de novos paradigmas organizativos. Uma reacção desencadeada sempre que os indivíduos ou os grupos percepcionam a mudança como uma ameaça ao seu status quo. No entanto, a adopção por parte dos responsáveis administrativos de uma estratégia de informação e implicação dos funcionários no processo em curso, permitirá reduzir, substancialmente, a resistência inicial.

Este texto incide sobre a socialização dos indivíduos numa indústria portuguesa do sector automóvel, um greenfleld site. Argumenta-se aqui que a socialização na empresa, através da formação normativa e comportamental, é um mecanismo importante na difusão (expressão) da ideologia empresarial. Ideologia é aqui entendida como o conjunto de ideais e de princípios normativos que a empresa instila nos trabalhadores, e de cuja assimilação dependerá a manifestação laboral de cada um. O objectivo da empresa é o de ver legitimada a sua ideologia, ou seja, de ver reproduzidos na praxis futura os princípios que incutiu, e dos quais depende o funcionamento da produção magra. Problematiza-se ainda os poderes e as limitações dessa legitimação.