Neste texto, o autor procede a um levantamento, relativamente a Portugal, dos trabalhos técnicos e científicos levados a cabo desde cerca de 1988 sobre o tema da participação dos trabalhadores em processos de inovação industrial. São tratados, em particular, tópicos como os sistemas de relações industriais, o contexto político dos programas comunitários de apoio à inovação, a posição dos parceiros sociais face à participação, a investigação produzida em Portugal e as actividades concretas dos referidos programas de apoio - no que toca às políticas e orientações promotoras de maior participação dos trabalhadores no trabalho e nas organizações produtivas.

Utilizando uma perspectiva teórica sistémica abstracta - mas através de sugestivas imagens e metáforas - o autor equaciona os sistemas sociais organizados numa situação de "à beira do caos", definida como equilíbrio instável e dinâmico entre a ordem (e as suas representações simbólicas, princípios de método e processos práticos) e o caos "propriamente dito" (provocado pela entropia dos sistemas). É neste quadro que são tratados, por exemplo, o "jogo" da colaboração e da competição interindividuais, ou as tensões entre a autonomia dos sujeitos e o controlo social.

O presente artigo tem origem no trabalho desenvolvido para a apresentação de uma tese de mestrado pelo autor, no ISCTE. Assim, numa primeira parte, é feita uma incursão sobre as concepções prevalecentes no que respeita à formação profissional, às suas relações com a evolução tecnológica e à melhoria da produtividade, qualidade e competitividade económica. Num segundo momento, sumarizam-se alguns aspectos do estudo empírico realizado sobre a indústria gráfica portuguesa e as tendências aí observadas quanto à gestão dos seus recursos humanos.

O objecto do presente artigo são as formas não tradicionais de organização em empresas de produção industrial, envolvendo particularmente empregados operacionais (directos na produção). Os objectivos do artigo são transmitir uma visão geral das "Organizações ou Estruturas Paralelas" bem como demonstrar o seu papel fundamental na implementação de processos contínuos de melhorias na organização, na dinamização da estrutura base ou primária e na promoção de programas especiais de âmbito tecnológico. Estes objectivos são atingidos no estudo através dos três pontos seguintes: 1. Identificação do conceito de "Organização Paralela"; 2. Caracterização de formas de "Organizações Paralelas" que se possam identificar como "formas dominantes", referidas na literatura; 3. Analisar as vantagens e limitações das "Estruturas Paralelas".

O autor recorda o quadro em que emergiu a procura de participação nas organizações industriais e reflete sobre algumas mudanças fundamentais entretanto ocorridas. Em particular, são consideradas as transformações por que têm passado as organizações empresariais (dimensão, tecnologia, estruturas, interligações, flexibilidade, orientações). Por outro lado, acentuam-se os novos quadros culturais de referência das sociedades modernas, mormente nos aspectos do individualismo e das tendências à profissionalização, com uma referência ao recente livro de Robert Reich O Trabalho das Nações. São assim confrontados os sentidos atribuíveis modernamente aos conceitos-chave que são aqui a "participação" e a "cooperação".