O trabalho refere-se a uma pesquisa teórica-empírica desenvolvida na indústria portuguesa, como parte do Projecto Conjunto de Cooperação Luso-Brasileira, entre a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade Federal de Santa Catarina. O tema central do trabalho votou-se à identificação da experiência de um país que atravessa uma fase de superação de muitas desvantagens comparativas, na busca de modernização industrial e competitividade para integrar-se plenamente ao mercado único Europeu em 1992. Os principais objectivos da pesquisa foram: identificar e analisar a introdução da informática aplicada à produção, destacando-se os seguintes Sistemas/Equipamentos: máquinas-ferramentas com CN e CNC, CAD/CAM, CLP, Robôs e a Gestão Informatizada da produção. A opção metodológica recaiu sobre o estudo comparativo de multi-casos, como forma de obter informações mais aprofundadas sobre o assunto e reforçada pela inexistência de estatísticas oficiais. Aplicaram-se entrevistas e questionários junto às empresas seleccionadas, instituições de Investigação e Desenvolvimento, associações industriais e fornecedores de sistemas e equipamentos. No final do trabalho, foram apresentadas sugestões e recomendações decorrentes da avaliação dos resultados.

A Ditadura Militar implantada a 28 de Maio de 1926, invocando a necessidade de acabar com os deficits dos Caminhos de Ferro do Estado e disciplinar o seu pessoal "anarquizado", decidiu arrendar à CP as redes do Minho do Douro e do Sul e Sueste, cuja exploração há mais de 50 anos era do domínio estatal. Este artigo historia primeiro a formação, em 1899, da empresa pública avant Ia Iettre C. F. E. e o seu funcionamento até aos finais da 1ª República. Analisa, depois, o processo de decisão e legitimação pela Ditadura da entrega das linhas estatais a uma entidade "privada", constatando a debilidade da sua fundamentação técnica ou económica e a preponderância de motivações político-ideológicas. A história desta "privatização" - que, julgada pela evolução realmente verificada nos anos que se lhe seguiram, teria de ser considerada um verdadeiro desastre - não prova os malefícios da gestão privada, constituindo antes uma análise dos verdadeiros objectivos dos que a decidiram e uma denúncia das manipulações político-ideológicas que lhe serviram de justificação.

As autoras procuram estudar o processo de privatizações em curso na República Checa, considerando os casos específicos de duas empresas industriais dos ramos eléctrico e alimentar. Tendo presente as transformações políticas, económicas e sociais em curso naquele país e a sua manifestação no plano micro das empresas em causa, o estudo incidiu sobre os desenvolvimentos institucionais das relações industriais, as representações dos líderes sindicais sobre as mudanças em curso e as atitudes e experiências de gestores e trabalhadores ao nível do local de trabalho. Salvaguardando o carácter exploratório e limitado do estudo em questão as autoras destacam três traços caracterizadores da realidade checa em meados da década de 90: a natureza indeterminada da propriedade, induzida pela especificidade do processo de privatizações em curso; o hiato existente entre a legislação e as práticas concretas dos actores no campo das relações industriais; a importância ideológica do individualismo e da economia de mercado.

Este artigo traça uma panorâmica sobre a evolução da organização prisional, numa tentativa de a enquadrar numa dinâmica semelhante a outras organizações. Desta forma, a prisão não será aqui tanto focada no seu aspecto disciplinar e judicial, mas sobretudo no que toca às várias fases pelas quais passou e os diversos contextos em que pode ser interpretada. Descreve-se assim uma leitura do dispositivo prisional em que o trabalho é o principal fio condutor, desde uma perspectiva de isolamento social até à sua progressiva inserção na comunidade, onde se constitui cada vez mais como um elemento produtivo e representativo de uma partilha entre os organismos públicos e privados.