RESUMO / ABSTRACT / RÉSUMÉ

 

As mutações do universo do trabalho, iniciadas na década de 1970, e, em grande medida, ainda em curso, têm, de algum modo, gerado mais dissenso do que consenso. O trabalho tem hoje, certamente, uma configuração distinta do trabalho existente há três décadas atrás. A mudança é, sobretudo, qualitativa, e não concorre, pensamos, para a noção do fim do trabalho como medida de valor. A classe trabalhadora é hoje mais complexa, heterogénea e fragmentada, distinta da que predominou nos anos de apogeu do taylorismo e do fordismo. Da mudança decorre, na verdade, uma nova anatomia do trabalho; trata-se de um tropismo que se concretiza não propriamente de uma desconstrução do trabalho enquanto categoria sociológica-chave para a compreensão da realidade material de grupos e indivíduos, ou de uma inflexão próxima de um fim determinado pelos avanços tecnológicos e científicos dos meios de produção, mas sim da emergência de um trabalho polissémico, no mosaico de formas que lhe pode actualmente dar expressão.

Palavras-chave: Trabalho, Mudança social, Transitoriedade, Identidade profissional, Identificação e experiência subjectiva do trabalho.


Changing work arrangements: Facing up to the future

Accelerated mutations in work organization begun in the 1970s, and they are largely still ongoing, having their understanding somehow generated more disagreement than consensus. The work has now certainly a different configuration of the existing work three decades ago. The change is primarily qualitative, and doesn't imply, we believe, the idea of end of work as a measure or anchor of social value. The working class is now more complex, heterogeneous and fragmented, different from the one that predominated in the Taylorism and Fordism golden years. From observed change results, in fact, a new anatomy for work content and work settings; this isn't exactly a tropism related with the deconstruction of work as a key sociological category, or a terminal inflection determined by scientific and technological advances, but the emergence of a polyssemic work, socially expressed along a rising shapes spectrum.

Keywords: Organizational change, Social change, Work identity, Life-long social experience of work, Work-related trajectories.


Les changements d'organisation du travail: Faire face à l'avenir

Les mutations dans le monde du travail, commencé dans les années 1970, et en grande partie encore en cours, ont généré plus de désaccord que le consensus. Aujourd'hui le travail a certainement une configuration différente du travail en vigueur il ya trois décennies. Le changement est surtout qualitative, et n'est pas concurrent, nous croyons, à la notion de la fin du travail comme une mesure de valeur social. La classe ouvrière est aujourd'hui plus complexe, hétérogène et fragmenté, distinct de celui prédominait dans les années de pointe du taylorisme et le fordisme. Le changement produit une nouvelle anatomie de travail, et ça n'est pas exactement un tropisme pour une déconstruction de l' travail comme une catégorie sociologique centrale pour comprendre la réalité matérielle des groupes et des acteurs, ou une inflexion d'un ordre déterminé par les progrès scientifiques et technologiques des moyens de production, mais un symptôme de l'émergence d'une travail polysémique, socialement manisfeté sur un mosaïque de formes.

Mots-clé: Changement social, Identité professionnelle, Transitions dans les parcours de vie.